Ontem no Salão Nobre, na sessão dedicada a Brahms, o violista Rafael Altino tocou o Scherzo da Sonata F-A-E. Mas poucos sabem o fato que motivou o nome da obra.

Ela foi composta a seis mãos por Schumann, Brahms e Albert Dietrich (aluno de Schumann) em 1853 para o violinista Joseph Joachim, a quem eles haviam conhecido há pouco tempo, no mês de outubro.

O desafio era não somente criar uma peça virtuosística e de boas-vindas ao novo amigo, mas também fazer com que Joachim descobrisse o autor de cada movimento – os quais eram: Schumann, do primeiro e do quarto; Dietrich, do segundo; e Brahms, do terceiro. O virtuose cumpriu a tarefa sem dificuldades.

A peça completa só foi publicada em 1935. Antes disso, somente o scherzo – escrito por Brahms – havia sido disponibilizado isoladamente.

As letras F-A-E, como se depreende da notação alemã (designada por letras), correspondem às notas fá-lá-mi, as quais determinam as tonalidades predominantes da obra. Porém, a escolha delas deve-se na verdade ao mote pessoal de Joachim: Frei aber einsam (“Livre, porém solitário”).