JC: Três noites para o aniversário de Marlos Nobre

Paulo Sérgio Scarpa Especial para o JC Online

O compositor e maestro pernambucano Marlos Nobre comemora, em alto estilo, no Recife, os setenta anos de vida e cinquenta de carreira. Após receber, na terça passada, homenagem da Assembleia Legislativa de Pernambuco, o maestro será lembrado, entre quinta-feira (28) e sábado (30), no Teatro Santa Isabel, durante o 5º Virtuosi Brasil, que dedica toda as suas noites para festejar 22 das 280 obras criadas por ele desde os 19 anos de idade, quando deixou o Recife para fazer carreira no Rio de Janeiro.

Marlos Nobre, que ressalta a influência da cultura pernambucana na sua música, principalmente o Maracatu Nação e o frevo, será o solista de duas obras, no sábado, e fará a estreia mundial, na sexta, de uma peça criada especialmente para o 5º Virtuosi.

O festival é organizado pela pianista Ana Lúcia Altino e pelo maestro Rafael Garcia que convidaram este ano o pianista Bernardo Scarambone, o celista Cláudio Jaffé, o violista Marcelo Jaffé, a violinista Betina Sttegmann, a soprano Angela Barra e o pianista Ricardo Ballestero.
Marlos Nobre comenta obras do Virtuosi para o JC Online
Paulo Sérgio Scarpa Especial para o JC Online

Dia 28, 21h
Música para piano
Bernardo Scarambone, piano

Nazarethiana Op. 2 (1960)
“Escrevi quando ainda estava no Recife, entusiasmadíssimo com o grande compositor popular carioca Ernesto Nazareth. É uma pequena “tocata” para piano, evocando Nazareth, à minha maneira. Insiro entre os temas uma parte rítmica que se tornaria minha marca registrada. Ganhou o 1º Prêmio da Sociedade Germano Brasileira, no Recife, em 1960, com um júri presidido por Valdemar de Oliveira, que se tornaria meu grande apoio”.

Ciclo Nordestino, Opus 5 (1960)
“Escrevi para participar do Concurso Estadual de Música de São Paulo, quando fiquei em 2º lugar. Nela, começo uma série baseada em temas e motivos folclóricos de Pernambuco, com a intenção de preservar esses temas do esquecimento e dar um tratamento contrapontístico e moderno. Na época, o Mikrokosmos, de Bartok, foi minha inspiração. Foi gravada pela pianista
Guiomar Novaes e teve repercussão internacional”.

Homenagem a Arthur Rubinstein, Op 40 (1973)
“Em 1973, o diretor do 1º Concurso Internacional de Piano Arthur Rubinstein me encomendou uma peça, que dediquei ao grande pianista. Dele, receberia depois uma carta que foi uma consagração para mim. Rubinstein escreveu sobre a obra em seu livro de memórias, My many years. Toquei a obra em Paris, no apartamento dele, e ele simplesmente a adorou. Hoje, faz parte do repertório de grandes pianistas. E isso eu devo também a Rubinstein”.

4º Ciclo Nordestino, Op 43 (1977)
“Cantilena é a mais extensa parte da obra e obedece a uma idéia de ir, aos poucos, escrevendo com maiores dificuldades técnicas. Esse movimento já requer uma técnica transcendental e está ligado profundamente às minhas reminiscências do Carnaval do Recife, que assisti desde meus quatro anos na Rua de São João. Termina com o Frevo que se tornou uma peça digamos “favorita” dos pianistas no Brasil e no mundo”.

Sonata Breve Op.21 (1966/2000)
“A peça inicia uma série de sonatas onde a minha escritura transcendental, com dificuldades técnicas e musicais, atinge um ponto alto. O tema é baseado em características nordestinas, especialmente nos desafios de Pernambuco, que inspiraram minha infância. Ouvia, maravilhado, na fazenda de meu tio, os cantadores e as disputas, que levavam o dia inteiro”.

Tango Op 61 (1984)
“É essencialmente uma reminiscência de minha amizade com o grande Astor Piazzola, em Buenos Aires, em 1963/64. Na época, ele era execrado e perseguido pelos “donos” do tango portenho, que diziam ter Piazzola renegado as verdadeiras raízes do genero e criado algo espúrio. Ao escrever esse meu Tango, trouxe a atmosfera do Buenos Aires moderno, do tango que a tradição execrava, mas que acabou conquistando o mundo”.

Sonatina Op. 66 (1984/2003)
”Dedicada ao pianista Nelson Freire”.
Frevo nº2
“Dedicado a Ariano Suassuna”.

Dia 29, 21h
Música vocal e música de câmara
Angela Barra (soprano), Ricardo Ballestero (piano), Cláudio Jaffé (celo), Marcelo Jaffé (viola) e Betina Stegmann (violino)

Três trovas opus 6 (1961)
“Foram escritas sobre textos das trovas do Adhelmar Tavares, o melhor poeta de trovas do Brasil. Escrevi para o 1º Concurso Música e Músicos do Brasil, no qual a peça ganhou menção honrosa, com estréia, no Rio, em 1961. Todas as canções são calcadas no “mal do amor” cantadas nas trovas.

Ciclo Beira-mar opus 21 (1966)
“O ciclo se inspira na música e na poesia popular da Bahia, que canta Iemanjá. É possivelmente a minha obra mais popular para canto. A característica principal é que eu procurei manter o caráter direto e de cunho popular da melodia (que é minha própria, baseada na música popular dos candomblés da Bahia, que assisti maravilhado quando muito jovem). A harmonia é simples, mas ao mesmo tempo sofisticada, assim como a escritura pianística, que sempre é muito rica em todas as minhas canções”.

Três canções opus 9 (1962)
“Este ciclo foi baseado em textos de Ascenso Ferreira e Manuel Bandeira. Tive o prazer de conhecer Ascenso, aquele homenzarrão, sempre vestido de branco, com voz de trovão, mas uma alma pura e maravilhosa, declamando seus versos no Departamento de Cultura-Discoteca do Recife, que ele frequentava e eu também, entre 1956 e 1957. Escolhi o Maracatu, que é uma jóia poética, pois Ascenso sabia como extrair sons onomatopáicos puros e, com eles, criei minha música. “Teu nome” é uma espécie de modinha, inspirada nos versos ternos e meio atormentados de Bandeira. E “Boca de Forno” evoca uma tomada de santo, uma incorporação em terreiro de macumba”.

Dengos da mulata desinteressada opus 20 (1966)
“Compus a peça em duas horas, exatamente, tal a naturalidade com que fui possuído pelo texto de Ribeiro Couto. É uma espécie de “desafio”, onde o piano imita a viola caipira e a voz transcendo a voz do poeta cantador, cantando uma sedução de amor com a graça típica dos namoros das festas populares do meu Pernambuco, essencial e profundo”.

Poema V (Raio de Luz) opus 94 n°5 (2002)
“A obra faz parte de uma larga série de Poemas para diversos instrumentos, no qual não poderia faltar a voz. Escrevi um texto baseado na música e suas inflexões, sem nenhuma pretensão literária (que não tenho), mas que se encaixa perfeitamente no clima lírico do canto de amor que pretendi criar”.

Modinha opus 23a (1966)
“Em 1962 estava no Rio, sem emprego, sem dinheiro e me procurou o cineasta Paulo César Saraceni, que queria montar um show. Fiz os arranjos, inclusive do então iniciante baiano o Gilberto Gil, de quem me entregaram uma fita onde ele cantava. Para terminar o show, a produção queria uma canção e encomendou ao poeta Marcos Konder Reis um texto e eu o musiquei, em uma tarde. No show, na boate Gaslight, no Flamengo, às vezes o pessoal se agitava porque dizia que a Modinha terminava o show “muito para baixo”, pois era um canto de amor e não tinha nada de grandioso. Mas logo tornou-se um sucesso”.

Cantoria I para celo solo
“Ela foi escrita por encomenda do violoncelista pernambucano Antonio Meneses, que me pediu uma peça que comentasse e fosse uma introdução a uma das Seis suítes para celo, de Bach. Escolhi a suíte em ré menor, que sempre me pareceu a mais linda e fiz esta homenagem ao grande Bach”.

Partita Latina para celo e piano
“Ela nasceu de uma encomenda especial do violoncelista mexicano Carlos Prieto, que toca com um raríssimo Stradivarius. Nela, utilizo a idéia das partitas antigas, que eram uma suíte de peças mais ou menos dançantes e interligadas, no período barroco. É um visão pessoal do barroco e alterna estados de espírito denso, calmo, agitados, líricos, fúnebres e exaltados”.

Sonata Opus 11 para viola solo (1962)
“Foi encomendada pelo violista húngaro George Kiszely, que a gravou pela EMI. É uma das poucas sonatas escritas para este instrumento. Em três movimentos, mostra minha visão, na época, do instrumento excepcional que eu trato de elevar à categoria de solista”.

Trio para piano, violino e viola Op. 4
“Escrita no Recife, em 1960, aos 21 anos, ganhou o 1º Prêmio do Concurso Nacional Música e Músicos do Brasil, no Rio, com um júri formado por Francisco Mingnone, Camargo Guarnieri, Radamés Gnatalli. Na época foi um estouro no Rio e no Brasil. Em segundo lugar ficou obra do maestro e compositor César Guerra-Peixe. A crítica carioca me considerou, textualmente, “uma estrela de intensa luminosidade que aparece na música do Brasil como o legítimo sucessor de Villa-Lobos. O Trio é um resumo de tudo que eu adorava na época: Nazareth, o dodecafonismo, Ravel. Enfim, uma peça juvenil”.

Dia 30, 21h
Música para orquestra de câmara e solistas
Orquestra Jovem de Pernambuco, regência Rafael Garcia; Angela Barra (soprano), Marlos Nobre (piano) e Cláudio Jaffé (celo)

O Canto Multiplicado para voz e orquestra Op.38a
“Foi escrito por encomenda do Ensemble de Munich, que fazia turnê pela América Latina. O texto de Carlos Drummond de Andrade, maravilhoso, sempre me impressionou profundamente: uma evocação do assassinato covarde pela falange fascista espanhola do grande Garcia Lorca, que na minha música adquire uma expressão dramática enorme. A peça é um grande lamento à imbecilidade humana que matou e vem matando homens como Garcia Lorca, o próprio Cristo, Martin Luther King. Um protesto contra a violência do homem contra o homem e uma esperança de que “o dia amanhecerá”.

Concertino para piano e cordas Op. 1 (1959)
“Escrito no Recife, ganhou a menção honrosa no Rio no mesmo ano. A peça transmite as principais influências e afinidades que eu tinha na época: o barroco, a música de Ernesto Nazareth, a modinha brasileira e Schumann.O 2º movimento é muito lírico e nunca me esqueço quando toquei a gravação para minha querida mãe, Maria José, ao voltar do Rio. Ela emocionou-se profundamente e chorou. Ver minha mãe chorar, pela minha música,foi possivelmente a mais profunda emoção que jamais senti. O 3º movimento vem como uma homenagem a Nazareth e é um chorinho evocando os chorões cariocas”.

Poema IIIa para violoncelo e cordas Op.94 nº3a
Primeira audição mundial
“É uma canção lírica, para celo e orquestra de cordas, que orquestrei especialmente para este Virtuosi Brasil. A canção é tirada do 2º movimento do Concertante do Imaginário e é um canção de amor para minha mulher, a pianista e intérprete Maria Luiza Corker. É pura emoção e, como tal, espero que seja transmitida ao público”.

Concertante do Imaginário para piano e cordas Op. 74 (1989)
Dedicado à minha mulher, Maria Luiza, teve sua estréia mundial com a Royal Philarmonic Orchestra, em Londres. A obra se inspira em versos da grande poetisa Cecília Meireles. O primeiro movimento evoca uma visão revisitada do barroco. O 2º movimento, tem uma pequena e especial história: eu e Maria Luiza estávamos em em Rothenburg, na Alemanha, quando passamos por uma lojinha de pianos. Eu me sentei ao piano e uma melodia fluiu dos meus dedos. Essa melodia é minha canção de amor a Maria Luiza e sempre me emociona profundamente quando a peça é tocada. O 3º movimento é virtuosístico e evoca de certa maneira a correria das moscas, dos insetos, em rumoroso jorro, conforme a poesia de Cecília Meireles.

V Virtuosi Brasil começa hoje

Começa hoje, (28/05), a quinta edição do VIRTUOSI BRASIL que celebra a obra do maestro e compositor pernambucano Marlos Nobre. Saudado como um dos maiores compositores vivos do continente ibero-americano, o maestro Marlos Nobre comemora 50 anos de carreira e 70 de idade em 2009. O VIRTUOSI BRASIL, festival dedicado aos grandes virtuoses brasileiros, acontece de 28 a 30 de maio no Teatro de Santa Isabel, a partir das 21h.

Em 2006, ao receber o prêmio Tomás Luis de Victoria em Madri, Marlos Nobre foi considerado por crítica e amantes da música de concerto como o maior compositor vivo do continente íbero-americano. O maestro estará presente acompanhando cada uma das três noites de concerto do festival dedicada a um gênero de sua obra: piano, música vocal e de câmara e finalmente uma peça para orquestra de cordas e solistas.

A responsabilidade de abrir o evento fica nas mãos do pianista carioca Bernardo Scarmbone, especialista nas obras de Nobre para piano. Doutor em Piano pela Universidade de Houston, professor da Alcorn University, o pianista apresentará Sonatina Op. 66 1984/2003 (dedicada a Nelson Freire), Frevo nº2 (dedicado a Ariano Suassuna), entre outras obras do compositor.

Produzido pela pianista Ana Lúcia Altino, o festival tem direção artística do maestro chileno Rafael Garcia. O Projeto V VIRTUOSI BRASIL CELEBRA MARLOS NOBRE foi aprovado em seleção pública pelo Programa BNB de Cultura em 2009 e conta com o apoio do Governo do Estado de Pernambuco, da Prefeitura Municipal do Recife, da Rede Globo Nordeste, do Diario de Pernambuco e do Dorisol Recife Grand Hotel.

V VIRTUOSI BRASIL
Datas: 28, 29 e 30 de maio de 2009 – 21 horas
Local: Teatro de Santa Isabel – Praça da República – Recife

Ingressos:
Frisas e Platéias – R$20,00 [inteira] R$ 10,00 [meia]
Camarotes A e B – R$15,00 [inteira] R$ 7,50 [meia]
Informações: 3232.2940 / 3363.0138

V Virtuosi Brasil

A quinta edição do VIRTUOSI BRASIL celebra o grande compositor pernambucano MARLOS NOBRE, um dos mais importantes compositores do país e da América Latina, comemorando 70 anos do seu nascimento e 50 de carreira artística. O festival se realizará nos dias 28, 29 e 30 de maio no Teatro de Santa Isabel, às 21 h.

Ao receber o Premio Tomás Luis de Victoria em Madri, Marlos Nobre foi saudado como o maior compositor vivo do Continente Ibero-americano da atualidade. Na entrega do prêmio a crítica espanhola classificou sua música de enorme riqueza imaginativa e potente, possuindo um magnetismo e uma força que a fazem irresistível. Detentor do Prêmio UNESCO da Música em 1974, foi saudado pela crítica como uma estrela de intensa luminosidade a quem Villa-Lobos parece ter entregue o cetro da criação musical no Brasil (Andrade Muricy, 1960). Foi Presidente do Conselho Internacional de Música da UNESCO, da Academia Brasileira de Música, oficial da Ordem das Artes e Letras da França, oficial da Ordem do Mérito de Brasília e da Ordem do Rio Branco.

Durante o V VIRTUOSI BRASIL serão realizados três concertos com a participação de artistas nacionais e internacionais no Teatro de Santa Isabel, cada concerto dedicado a um gênero de obra do compositor: piano, música vocal e de câmara e finalmente a obra para orquestra de cordas e solistas.

Para abrir o evento foi convidado o pianista carioca Bernardo Scarambone, um especialista na música do compositor para piano. Bernardo Scarambone é Doutor em Piano pela Universidade de Houston, professor da Alcorn University.

Na segunda noite o público pernambucano conhecerá a música vocal e a música de câmara. A cantora Ângela Barra acompanhada do pianista Ricardo Ballestero apresentará canções do compositor. Ângela Barra é Doutora em Música pela Indiana University e professora da Universidade Federal de Goiás. Ricardo Ballestero é professor do Departamento de Música da USP e doutor pela Universidade de Michigan. Ainda nesta noite serão apresentadas obras para instrumentos de cordas e piano com a participação dos irmãos Claudio e Marcelo Jaffé (violoncelista e violista respectivamente) e a violinista argentina Betina Stegmann.

Claudio Jaffé participa do VIRTUOSI pela primeira vez. Residindo nos Estados Unidos onde é regente em residência da Orquestra Jovem da Flórida, Claudio Jaffé tem se apresentado nas mais prestigiosas salas de concerto pelo mundo incluindo Weill Recital Hall, Town Hall, Merkin Concert Hall em Nova York; Kennedy Center, Teatro Colon, Sala Cecilia Meireles, Wigmore Hall, Suntory Hall, entre outras. Marcelo Jaffé e Betina Stegmann são membros do Quarteto de Cordas da Cidade de São Paulo.

A terceira e última noite do evento traz a Orquestra Jovem de Pernambuco sob a direção do Maestro Rafael Garcia tendo como solistas a cantora Ângela Barra, o violoncelista Claudio Jaffé e o pianista Marlos Nobre que executará o Concertino e o Concertante do Imaginário, ambas obras para piano e orquestra de cordas.

Durante a realização do festival uma exposição retrospectiva dos 50 anos de carreira do compositor estará à disposição do público no próprio Teatro de Santa Isabel.

Celebrar os 70 anos de vida do compositor pernambucano Marlos Nobre é certamente uma obrigação daqueles que fazem e amam a música brasileira. A obra de Marlos Nobre é uma das mais fortes e inventivas, inquietas e inquietantes da música contemporânea. Marcada por um vigor e até uma agressividade de impacto emocional às vezes à beira do insuportável, ela tem cheiro de agreste inóspito que fala com elementos bem brasileiros, ou especificamente nordestinos., de uma época conturbada.

O Projeto V VIRTUOSI BRASIL CELEBRA MARLOS NOBRE foi aprovado em seleção pública pelo Programa BNB de Cultura em 2009 e conta com o apoio do Governo do Estado de Pernambuco, da Prefeitura Municipal do Recife, da Rede Globo Nordeste, do Diario de Pernambuco e do Dorisol Recife Grand Hotel.

Virtuosi Brasil: Marlos Nobre

Nasceu em Recife em 1939, formou-se em composição musical no Instituto Torcuato Di Tella em Buenos Aires com os grandes mestres Alberto Ginastera (Argentina), Olivier Messiaen (França), Ricardo Malipiero e Luigi Dallapiccola (Itália). Vencedor de 25 prêmios internacionais de composição musical, destacando-se o Prêmio UNESCO em 1974 e recentemente o Premio Tomás Luis de Victoria 2006, como o maior compositor contemporâneo da Iberoamérica.

Escreveu 240 obras até o presente, gravadas e difundidas mundialmente pelas grandes orquestras mundiais, como a Orchestre de la Suisse Romande, a Royal Philharmonic de Londres, a Orchestre de Paris, a Orquestra da Ópera de Nice. Sua obra está gravada atualmente em 57 CDs lançados em todo o mundo. Foi Diretor Musical da Radio MEC, Rio de Janeiro; Diretor do programa “Concertos para a Juventude” na Rede Globo; 1º Diretor do Instituto Nacional de Música da FUNARTE no qual lançou o programa Espiral de Ensino de Cordas a jovens carentes em convênio com o SESI em todo Nordeste do Brasil; o programa de Revitalização de Bandas em todo o Brasil; o programa de apôio aos jovens instrumentistas brasileiros; os Concursos Nacionais de Corais Universitários; de Bandas de Música; de Jovens Solistas; organizou os Concursos Nacionais de Jovens Compositores na FUNARTE. Foi eleito por aclamação, em 1985, Presidente do Conselho Internacional de Música da UNESCO e organizou em Brasília em 1987 o Dia Mundial da Música. É Oficial da Ordem das Letras e Artes da França; Oficial da Ordem Rio Branco; Grande Oficial da Ordem do Mérito de Brasília; professor convidado das Universidades de Yale, Juilliard School, Indiana, Texas nos Estados Unidos, Conservatório Real de Bruxelas na Bélgica, GAUDEAMUS na Holanda, tendo recebido as mais altas láureas concedidas pelas Universidade de Indiana, Texas e da Universidade de Arte de La Habana, em Cuba.

É membro de honra do Concurso Rubinstein em Israel, do Concurso Santander na Espanha e do Comitê das Artes Olímpicas em Paris, do Concurso Internacional Santander da Espanha e do Concurso Alberto Ginastera na Suíça. A crítica e musicólogos internacionais são unânimes ao considerarem Marlos Nobre como a legítima expressão da música contemporânea do Brasil. Entre suas obras destacam-se: Divertimento, Concerto Breve e Concertante do Imaginário (para piano e orquestra); Convergências, Mosaico, In Memoriam, Passacaglia e Kabbalah (para orquestra); IVº Ciclo Nordestino, Sonata Breve, Sonatina e Sonata sobre tema de Bartok (para piano); Yanomani (para coro e violão); Cantata do Chimborazo (para coro, solistas e orquestra); Ukrinmakrinkrin, O Canto Multiplicado, Canto a Garcia Lorca (para voz e instrumentos); Biosfera e Concerto para Cordas II (para orquestra de cordas); Momentos I a IV e Reminiscências para violão), a série de 40 Desafios para as mais diversas combinações instrumentais; o Trio para piano, violino e cello, o Quarteto de Cordas nº 1, o Quinteto de Sopros e suas recentes peças “Amazônia Ignota” para 4 flautas, percussão e piano e “Mandala” para violino clarinete e piano. Recebeu mais de 40 encomendas das mais importantes instituições culturais e musicais de todo o mundo.

Virtuosi Brasil: Programação

28 | 05 A MÚSICA PARA PIANO

Nazarethiana Op. 2, 1960

1º Ciclo Nordestino, Opus 5 1960

Homenagem a Arthur Rubinstein, Op 40 1973

4º Ciclo Nordestino, Op 43 1977

II

Sonata Breve Op.21 1966/2000

Tango Op 61 1984

Sonatina Op. 66 1984/2003 (dedicada a Nelson Freire)

Frevo nº2 (dedicado a Ariano Suassuna)

BERNARDO SCARAMBONE, piano

29 | 05 A MÚSICA VOCAL & A MÚSICA DE CÂMARA

Três Trovas opus 6 – 1961 (Texto de Adhelmar Tavares)

Beiramar opus 21 1966 (Texto de Marlos Nobre baseado no folclore da Bahia)

Três Canções opus 9 1962 (Textos de: Ascenço Ferreira (n° 1) e Manuel Bandeira (n° 2 & n° 3)

Dengues da Mulata Desinteressada opus 20 1966 (Texto de Ribeiro Couto)

Poema V (Raio de Luz) opus 94 n°5 2002 (Texto de Marlos Nobre)

Modinha opus 23a 1966 (Texto de Marcos Konder Reis)

ÂNGELA BARRA, soprano

RICARDO BALLESTERO, piano

II

Cantoria I para cello solo

Partita Latina para cello e piano

CLAUDIO JAFFÉ, cello

RICARDO BALESTERO, piano

Trio para piano, violino e viola Op. 4

BETINA STEGMANN, violino

MARCELO JAFFÉ, viola

BERNARDO SCARAMBONE, piano

30 | 05 A MÚSICA PARA ORQUESTRA DE CÂMARA & SOLISTA

O Canto Multiplicado para voz e orquestra Op.38a

Texto de Carlos Drummond de Andrade

ÂNGELA BARRA, soprano

Concertino para piano e cordas Op. 1 (1959)

Menção Honrosa no I Concurso Nacional de Composição “Música e Músicos do Brasil” – Rádio MEC

MARLOS NOBRE, piano

II

Poema IIIa para violoncelo e cordas Op.94 nº 3a

Primeira audição mundial

CLAUDIO JAFFÉ, cello

Concertante do Imaginário para piano e cordas Op. 74

Encomenda da Sala Cecilia Meireles – Rio de Janeiro 1989

MARLOS NOBRE, piano

19.05
19.05