ENTREVISTA: Irineu Franco Perpétuo

Seção: Notícias, Palestras
ENTREVISTA: Irineu Franco Perpétuo

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Por Josias Teófilo
Irineu Franco Perpétuo é um dos mais conhecidos jornalistas especializados em música de concerto e ópera do país. Sua atuação, entretanto, se estende para a área de tradução literária – traduziu direto do russo Memórias de um caçador de Turguêniev – e para a formação de platéias. Ele é o responsável pelas palestras sobre as óperas da temporada do Theatro Municipal de São Paulo. Além disso, é o curador da programação de música de câmara do Theatro São Pedro em São Paulo enfocando música brasileira dos séculos XX e XXI. No Recife durante o XVII Virtuosi ele fará o curso “Aprendendo a ouvir musica clássica” entre os dias 9 e 11 de dezembro às 10h na Livraria Cultura do Paço Alfândega. A entrada é franca e as incrições podem ser feitas pelo site www.virtuosi.com.br

Como você concebeu o curso Aprendendo a ouvir musica clássica?

Esse curso foi concebido como um complemento ao festival, como uma maneira de atrair o público não-especializado ao un iverso da música de concerto. A cada ano, procuro abordar uma temática que tenha a ver com a programação do festival. Assim, em 2012, foi um curso mais amplo, de introdução. Em 2013, devido aos bicentenários de Verdi e Wagner, focamos na ópera. E, agora, o foco será em música de câmara. Todas as palestras são em clima informal, de conversa, e ricamente ilustradas com gravações em DVD.

Qual a importância de um festival como o Virtuosi para a formação de platéia de musica de concerto?

Um festival como o Virtuosi é bastante especial, por ter uma programação variada e imaginativa, com artistas de primeiro time, em um teatro charmoso e atraente. O próprio clima do Virtuosi, festivo e descontraído, ajuda a atrair e formar o público – além, é claro, do alto nível das atrações escolhidas.

Como é que você concilia a atividade didática com a de jornalista e tradutor de russo?

Boa pergunta! É necessária uma certa disciplina para organizar o tempo entre tantas atividades – que são, por vezes, conflitantes. Quando estou no Recife, não é raro eu dar uma palestra de manhã, escrever um artigo ou cuidar de uma tradução à tarde e, à noite, partir para um concerto do festival. Cansa a mente porém, como são atividades prazerosas, alimenta o espírito…

Você vê algum caminho para a descentralização da boa produção de música de concerto e ópera do eixo Rio-São Paulo ou essa é uma tendência inevitável?

Acho que o Virtuosi justamente aponta que a descentralização, além de desejável, é bastante possível. Belém e Manaus fazem festivais de ópera desde uns 15 anos, e vejo com simpatia os esforços de fortalecer a vida orquestral em lugares como Goiás, Espírito Santo e Mato Grosso. Aí no Recife, além do Virtuosi, dá para citar ainda o recente esforço de Marlos Nobre à frente da sinfônica local.

Produções operísticas do nível das que estão sendo feitas no Theatro Municipal de São Paulo atualmente poderiam ser feitas em outro lugar do país?

No que tange à ópera, seria um sinal de maturidade e inteligência se os teatros brasileiros pudessem e conseguissem cooperar no sentido de fazer co-produções, ou fazer circular seus títulos. Além da óbvia vantagem do barateamento de custos, o próprio intercâmbio seria, por si só, enriquecedor.

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Entrevista com Christian Lindberg

Seção: Notícias

Por Josias Monteiro

Christian Lindberg, além de ser o mais conhecido solista do mundo no trombone, é também professor, regente e compositor. Além disso tudo, ele verdadeiramente atua no palco, interpretando suas extravagantes composições e estreando diversas obras no mundo todo. Recentemente, Lindberg foi eleito pelos principais editores de música clássica da Europa como um dos maiores instrumentistas do século XX, ao lado de nomes como Milles Davis e Louis Armostrong.

Lindberg se apresenta pela segunda vez no Recife, no Festival Virtuosi. Ano passado ele interpretou o “Concerto da Motocicleta”, que imita todos os sons da moto no trombone, no palco do Teatro de Santa Isabel. Neste ano, ele toca a “Kundraan”, peça de sua autoria, inédita no Brasil, composta enquanto ele esteve no Recife. Lindberg se apresenta no dia 17 de dezembro, no Festival Virtuosi, e ministra uma concorrida Master Class para mais de 100 inscritos na Livraria Cultura, no dia 19 de dezembro.

Lindberg, qual a importância das suas performances teatrais nos concertos?
A música e o teatro sempre tiveram uma ligação, e desde muito jovem eu tenho um interesse especial pelo teatro. Eu acredito que, nas performances, o mais importante é fazer as pessoas se comoverem e sentirem vivas – a combinação de musica e teatro é particularmente poderosa.

O que diferencia um artista especializado, que se atem a ser somente solista, ou solista e professor, e um artista múltiplo como você, que rege, compõe, toca e ensina?
Quanto melhor você for como compositor, melhor você se tornará regente, e melhor você será solista. Estes três assuntos são interligados e, enquanto você tiver energia e tempo, melhor músico você será. Ainda mais se puder ser, como antigamente, tanto um instrumentista, como um regente e compositor.

A música tem elementos que se relacionam ao intelecto, às emoções e à espiritualidade, qual deles sua música toca mais forte?
Todos os três elementos são uma combinação e têm que ter um balanço perfeito. Entretanto, se deve recordar que a música é parte de um mundo completamente diferente e abstrato, então emoções e espiritualidade podem ser o mais importante. Porém, sem a mente intelectual você se tornaria um artista muito superficial.

Como funciona a dinâmica da sua Master Class?
A pergunta estará completamente aberta a todos, e quando houver apenas alguns músicos que podem ser selecionados para tocar, a coisa importante é o ouvinte prestar atenção e aprender. Esta é a maneira ideal de comunicar o conhecimento em pouco tempo.

Lindberg, você já tocou algumas vezes no Brasil. Alguma diferença distingue o público brasileiro do público europeu?
Eu amo a audiência brasileira por ser tão viva e ter tanto poder emocional. É como uma festa cada concerto!

Como foi tocar o ano passado no Recife uma obra como o “Concerto para Motocicleta”?
Eu achei muito divertido! Foi uma ótima orquestra e a audiência estava interessada, eles não eram muito conservadores.

Você já estreou 200 obras de compositores os mais diversos. Como é a sensação de apresentar uma obra nunca antes tocada?
É muito, muito emocionante, como um passeio em uma floresta que onde ninguém já esteve. Você não tem idéia nenhuma de como a audiência irá responder e igualmente nenhuma idéia do impacto que a peça terá em 40 ou 50 anos. Por exemplo, eu nunca poderia imaginar na estréia do “Concerto para motocicleta” que eu iria tocá-la mais de 650 vezes em todo o mundo!!!

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