Festival Virtuosi ensina a ouvir ópera (Diário de Pernambuco)

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O fenômeno do culto a estrelas da música não surgiu no século 20. Enquanto hoje pensamos no U2, Adele, Metallica, Madonna, Lady Gaga, Bob Dylan, entre tantos outros, há cerca de quatro séculos, os grandes “pop stars” eram cantores de ópera. É sobre isso e outros assuntos ligados a essa vertente da música clássica que o jornalista paulista Irineu Perpétuo conversa com o público na série Diálogos – Aprendendo a ouvir ópera. O encontro, que faz parte da programação do 16º Virtuosi – Festival Internacional de Música de Pernambuco, ocorre desta terça-feira (10) até quinta-feira (12), às 10h, na Livraria Cultura do Bairro do Recife. A entrada é gratuita mas é preciso se inscrever no site do Virtuosi.

“Será algo como um tudo que você sempre quis saber sobre ópera, mas tinha vergonha de perguntar”, diverte-se Irineu. A palestra desse ano dá sequência à iniciativa da produção do Virtuosi de oferecer ao público recursos para compreender e apreciar melhor as nuances da música clássica, sua história e características.

Espetáculo grandioso que envolve orquestra, cenário e figurinos caprichados além, claro, de cantores com grandes vozes, lapidadas por muitos anos de estudo, a ópera surgiu em fins do século 16, na cidade italiana de Florença. Grupos de intelectuais, músicos, poetas e estudiosos da época pensavam em meios de reviver as peças teatrais da Grécia antiga.

“Em 1637, eles criaram algo bastante incomum naqueles tempos. Uma das novidades foi a cobrança de ingressos para apresentações em teatros. Era uma arte altamente comercial, cujo fascínio do público poderia ser comparada à que o cinema desperta hoje em dia”.

De acordo com Irineu, por conta do sucesso dos concertos, os cantores eram verdadeiras celebridades. Ao contrário do que normalmente acontece hoje em dia em outras vertentes musicais, a popularidade das apresentações de ópera obrigava os compositores a criar obras ainda mais complexas e aos cantores era exigido alto grau de virtuosismo. “As óperas eram um meio de estimular o convívio social”, explica.

Atualmente, mesmo sendo considerada uma arte apreciada pela elite, a ópera tem ganhado novos espaços de divulgação. “Na China estão abrindo casas dedicadas a ela. Há cinco ou seis anos, o Metropolitan (Opera House) de Nova Iorque transmite suas produções a cinemas de vários países”, informa Irineu Perpétuo.

Principais compositores
Existem compositores contemporâneos de ópera. Mas a maioria dos espetáculos ainda é baseada na obra dos antigos. O italiano Claudio Monteverdi é considerado um dos primeiros e mais relevantes compositores do gênero. Ele é autor de Orfeu, de 1607. Giuseppe Verdi e Richard Wagner (homenageados, George Frideric Handel, Wolfgang Amadeus Mozart, Richard Strauss e Giacomo Puccini.

Compositores brasileiros
Dentre os principais criadores brasileiros de óperas estão Carlos Gomes, Heitor Villa-Lobos, Elomar Figueira Mello, João MacDowell e Mozart Camargo Guarnieri.

Algumas das óperas mais famosas:
Guilherme Tell, de Rossini
Aída, de Verdi
Carmen, de Bizet
Cavalleria rusticana, de Pietro Mascagni
A flauta mágica, de Mozart
La gioconda, de Amilcare Ponchielli
O barbeiro de Sevilha, de Gioacchino Rossini

CONCERTO VIRTUOSI
No Teatro de Santa Isabel acontece nesta terça-feira, a partir das 18h, programação de música de câmara do Virtuosi. Serão apresentadas obras de Zoltan Kodaly, Heitor Villa-Lobos, Ravel, Ernest Bloch, entre outros. Participam dos concertos a pernambucana Ana Lúcia Altino (piano), os violinistas Benjamin Sung (EUA), Eugene Tichindeleanu (Romênia), os violoncelistas Leonardo Altino (Brasil), Lars Hoefs (EUA) e Katarina Altino (Dinamarca), o clarinetista Karl Pasch (Estados Unidos) o grupo Ensemble São Paulo, entre outros. A entrada é franca.

VIRTUOSI CELEBRA VERDI E WAGNER (Jornal do Commercio)

Por Valentine Herold

Com homenagens aos 200 anos de nascimento dos compositores Giuseppe Verdi e Richard Wagner, o festival Vistuosi chega hoje ao Recife, para uma série de apresentações gratuitas, depois de ter feito a abertura de sua 16ª edição em Olinda. João Pessoa, Campina Grande e Belém também acolhem o festival essa semana.

Nesses 15 anos, o Virtuosi desdobrou-se em outros festivais: Virtuosi Brasil, Virtuosi na Serra, Virtuosi Internacional, Vistuosi Sem Fronteiras e o Virtuosi Século XXI. “O festival amadureceu e cresceu ao longo do tempo. De certa forma, a dimensão que ele toma depende muito dos recursos financeiros que conseguimos”, analisa a diretora geral do festival e pianista Ana Lucia Altino. “Este ano o Virtuosi dura uma semana e acontece em cinco cidades, é um bom sinal. Mas o maior deles do quanto a os eventos de música clássica cresceram é o surgimento dos outros festivais. O de Garanhuns e Brasil já têm dez anos.”

O Salão Nobre do Teatro de Santa Isabel é palco de todos os concertos desta edição. Às 18h, o violinista norte-amerciano Benjamin Sung se apresenta junto ao seu conterrâneo violoncelista Lars Hoefs. Ainda hoje, às 19h, é a vez do violinista israelense Yehezkel Yerushalmi tocar acompanhado de Ana Lúcia, no piano, Rafael Altino e Leonardo Altino, respectivamente na viola e no violoncelo.

Dentre os 15 musicistas convidados desta edição e que participam ainda da orquestra Virtuosi & Virtuosos, quatro nunca tocaram no festival e dois – Giora Schmidt e Ilya Ramlav – se apresentaram na edição da Serra, em julho deste ano. A pianista e modelo Juliana D’Agostini faz seu debute no Virtuosi domingo, às 17h30, integrando a programação da Maratona de Piano BNDES, junto ao filipino Victor Asuncion e ao russo Ilya Ramlav. Também principiante no Virtuosi, o clarinetista natural do Alasca, Karl Pasch, realiza concerto depois de amanhã, com Lars Hoefs (violoncelo) e José Henrique Martins (piano). No repertório, peças de Beethoven, Villa-Lobos e Piazzolla.

Eugen Tichindeleanu é mais um estreante no Virtuosi. Violinista, ele graduou-se em Bucareste, na Universidade Nacional de Música, e se apresenta como solista da Orquestra Virtuosi & Vistuosos sob regência do maestro Rafael Garcia, na quinta-feira. Na sexta, ele interpreta peças de Rokovief, Dvorak e Cesar Franck.

HOMENAGEADOS

A dupla comemoração dos 200 anos de nascimentos de dois dos maiores compositores eruditos de ópera foi o gancho para escolher o tema da 16° do Virtuosi. O italiano Giuseppe Verdi e o alemão Richard Wagner são, respectivamente, os compositores das famosas óperas Rigoletto e O crepúsculo dos deuses.

“Infelizmente não vamos poder celebrar com uma encenação de um verdadeira ópera, mas preparamos uma noite dedicada aos homenageados com uma cantora excelente, Eiko Senda”, diz Ana Lúcia. A soprano japonesa se apresenta no Brasil desde 1995, mas sábado será sua primeira vez através do festival.

CLÁSSICAS PARA VOCÊ (Diario de Pernambuco)

Publicação: 08/12/2013

Dois dos compositores mais influentes na música clássica, cujos bicentenários de nascimento se completam em 2013, servem de guia erudito para as apresentações da 16ª edição do Virtuosi – Festival Internacional de Música de Pernambuco. O italiano Giuseppe Verdi e o alemão Richard Wagner, músicos da Europa do século 19, são os homenageados do evento recheado de atrações internacionais e com capilaridade suficiente para tocar simultaneamente apresentações em quatro cidades durante esta semana. A abertura será promovida neste domingo, a partir das 17h, entre paredes do Convento de São Francisco, em Olinda, com entrada gratuita.

Os 16 anos do festival imprimiram prestígio para a convocação de artistas de várias partes do mundo. A edição de 2013 convidou 17 músicos da Europa, do Oriente Médio, da Ásia, da América do Norte e do continente sul-americano. São exímios músicos como a solista e soprano japonesa Eiko Senda, elogiada pelo jornal The New York Times, aclamada como uma das melhores intérpretes da lírica wagneriana. Ou o pianista filipino Victor Asuncion, tido como um entusiasta de câmara – tocada por um número menor de músicos, em ambientes reduzidos. Ao lado do violinista norte-americano Giora Schmidt, ele abre as apresentações em Olinda neste domingo.

“Neste ano, por conta de redução no orçamento, a programação está mais enxuta. Porém, a qualidade é alta”, defende a pianista Ana Lúcia Altino, produtora do Virtuosi e também uma das atrações do festival. Desde a primeira edição, o evento já apresentou mais de 400 obras musicais, com mais de 100 cuja primeira audiência ocorreu em Pernambuco. Os dias de shows, somados, passam da casa dos 40.

Ana Lúcia destaca ainda a realização do terceira edição da série Diálogos, que integra a programação. Aproveitando o gancho dos homenageados, as palestras didáticas ministradas pelo jornalista Irineu Franco Perpétuo seguem o tema Aprendendo a ouvir ópera. As inscrições podem ser feitas pelo site www.virtuosi.com.br.

Sob o comando do maestro Rafael Garcia, a Orquestra Virtuosi & Solistas se apresenta, na quinta (12), com a participação dos solistas Eugene Tichindeleanu (violino), Rafael Altino (viola), Ilya Ramlav (pianista) e Leonardo Altino (violoncelo). Na sexta-feira 13, as más energias serão espantadas com a execução de obras de Dvorak e Cesar Franck. Participam do programa os violinistas Eugene Tichindeleanu, Giora Schmidt, o violista Rafael Altino, os violoncelistas Katarina Altino e Leonardo Altino e o pianista Victor Asuncion. A programação completa em diariodepernambuco.com.br/viver. (com informações de AD Luna)

os virtuosos

Verdi
Giuseppe Fortunino Francesco Verdi nasceu em Roncole, em 1813, e faleceu em Milão, em 27 de janeiro de 1901, aos 87 anos. Era filho de Luisa Utini e Carlo Verdi, comerciante. Entre suas principais óperas estão Aida, MacBeth, Otello e La Forza Del Destino. O músico exerceu influência na Europa e fez várias composições por encomenda. As obras eram retrato de tipos humanos e situações da época.

Wagner
Autor de composições como Tristão e Isolda, O holandês voador, Os mestres cantores de Nurembergue e O anel do Nibelungo, Wilhelm Richard Wagner nasceu em Leipzig (Alemanha), em 1813 e morreu, aos 69 anos, em Veneza (Itália), em 1883. É conhecido pelo estilo harmônico com ousadia. Mas ficou marcado por supostas ideias anti-semitas e a incorporação elas pelos nazistas posteriormente.

números

17
músicos da Europa, do Oriente Médio, da Ásia, da América do Norte e do continente sul-americano foram convidados para esta 16ª edição

400
obras musicais, pelo menos, foram apresentadas durante o evento. Mais de 100 delas foram mostradas pela primeira vez em Pernambuco

4
solistas internacionais de renome se apresentam na quinta-feira com a Orquestra Virtuosi, sob regência do maestro Rafael Garcia