Fim de semana dedicado à música erudita

O segundo final de semana do festival Virtuosi promete muita movimentação. Desta vez, as apresentações serão realizadas em terras recifenses, no Teatro de Santa Isabel, um dos monumentos mais notáveis do País. Esta sexta-feira (16) será abrilhantada com a realização do II Virtuosi pela Paz, uma maratona musical que terá como abertura a apresentação da Cantata Bruta. O grupo abordará o tema da violência na vida moderna, partindo de uma seleção de histórias integrantes d’A Gigantesca Morgue, série de 126 minicontos, que faz parte do livro História Universal da Angústia de W. J. Solha.

Já no sábado, a lista das apresentações será extensa, começando a partir das 14h com a apresentação do violinista americano Benjamin Sung e o renomado pianista coreano Jihye Chang. Até as 20h, quando acontecerá a última apresentação da noite, com a Orquestra Virtuosi apresentando o Festival Mahler, passarão pelo palco a dupla de viola e acordeon Duo Inviolata, formada por Asbjørn Nørgaard e Andreas Borregaard.

Ainda durante o sábado, passa pelo palco do Teatro o acordeonista russo Alexander Hrustevich, apresentando suas transcrições de música clássica, como o concerto para violino de Tchaikovsky. Fechando a noite, exibem-se os Quartetos para piano e cordas de Gustav Mahler e Johannes Brahms, com Victor Asuncion no piano, Anton Martynov no violino; Rafael Altino na viola e Leonardo Altino no cello.
O último dia do festival será em homenagem à criança. A primeira edição do Virtuosinho contará com a participação da já conhecida Orquestra Criança Cidadã dos Meninos do Coque, sob o regência do Maestro Lanfranco Marcelletti. Em seguida, haverá a apresentação do Festival Liszt, com os pianistas Victor Asuncion, Jihye Chang e Peter Laul.  Para encerrar a programação, o festival escalou o grupo francês Le Quatuor Caliente, especialista na música do tradicional compositor argentino Astor Piazzolla.

SEXTA 16|12

17h CICLO BRAHMS IV
Quinteto para clarinete e quarteto de cordas em si menor, Op.115
ENSEMBLE SÃO PAULO
CARLOS RIEIRO, clarinete
BETINA STEGMANN, NELSON RIOS, violinos
MARCELO JAFFÉ, viola
ROBERT SUETHOLZ, cello

18h CICLO BRAHMS V
Quarteto nº 1 em dó menor, Op. 51
TOBIAS DURHOLM, violino
ANNA ZELIANODJEVO, violino
RAFAEL ALTINO, viola
INGEMAR BRANTELID, cello

20h II VIRTUOSI PELA PAZ
CANTATA BRUTA
Para solistas, declamadores, coro, orquestra e sons eletrônicos
Texto de W. J. Solha
Música de Didier Guigue, Eli-Eri Moura, J. Orlando Alves, Marcílio Onofre,
ORQUESTRA DE CÂMERA DA CIDADE DE JOÃO PESSOA – OCCJP
CORO SONANTIS (COMPOMUS/UFPB)
Maria Juliana Linhares – mezzo-soprano
Edd Evangelista – tenor
Walmar Pessoa – declamador
Suzy Lopes – declamadora
Marcílio Onofre e Valério Fiel – eletrônica ao vivo
Jorge Bweres – iluminação, cenário e direção de palco
Eli-Eri Moura – regência

SÁBADO 17.12

14h RECITAL BENJAMIN SUNG, violino & JIHYE CHANG, piano
Serguei PROKOFIEV [1891-1953]
Sonata nº 1em fá maior Op.80
Jasha HEIFETZ [1901-1987)
Transcrições da ópera Porgy and Bess de Gershwin
Maurice RAVEL [1875-1937)
Tzigane

15h DUO INVIOLATA
John DOWLAND (1563-1626)
Flow my tears
What if I never speed
If my complaints
Can she excuse my wrongs
Manuel DE FALLA (1876 – 1946)
Siete Canciones Populares Españoles
El paño moruno
Seguidilla murciana
Asturiana – Jota – Nana
Canción – Polo
Johann Sebastian BACH (1685-1750)
Sonata para viola da gamba nº 2 em ré maior
Adagio – Allegro – Andante – Allegro
Paul HINDEMTH (1895-1963)
Trauermusik
Astor PIAZZOLLA (1921-1992)
Le Grand Tango

16h RECITAL DE JIHYE CHANG, piano
György LIGETI [1923-2006]
Etude No. 4, “Fanfarras”
Claude DEBUSSY [1862-1918]
Etude No. 7, “Para os graus cromáticos”
Hyun MIN KIM
Etude No. 8 “Escalas cromáticas”
Claude DEBUSSY [1862-1918]
Etude No. 2 “Para as terças”
David RAKOWSKI
Etude No. 64 “Uma terça na mão”
Claude DEBUSSY [1862-1918]
Etude No. 3 “Para as quartas”
Sergei RACHMANINOFF [1873-1943]
Etude Tableau Op. 39 nº 3 em fá sustenido maior
György LIGETI [1923-2006]
Etude nº 8, “Fem” (em quintas)
Frederic CHOPIN [1810-1849]
Etude Op. 25 nº 8 em ré bemol maior (em sextas)
Garrett BYRNES [1971]
Cosmopolitan Etude nº. 8 (em sétimas)
György LIGETI [1923-2006]
Etude No. 1, “Desordem”
Frederic CHOPIN [1810-1849]
Etude Op. 25 nº10 em si menor

17h ALEXANDER HRUSTEVICH
JohannPACHELBEL [1653-1706]
Chaconne em fá menor
Antonio VIVALDI [1678-1741]
Verão da Quatro Estações
Domenico SCARLATTI [1685-1757]
Sonata, K.262
Sonata K. 146
Sergei RACHMANINOV [1873-1943]
Barcarole
Vladimir ZUBITSKY [1953]
Jazz partita nº. 1, 4 e 5
Myroslav SKORYK [1938]
Melodia
Peter I. TCHAIKOVSKY [1840-1893]
Final do Concerto para violino e orquestra em ré maior, Op.35
Alfred GRUNFELD [1852-1924]
Concerto sob o tema da valsa Noites Vienenses de Strauss
Eugeny DERBENKO [1949]
A canção do cocheiro de Moscou
Vladimir ZUBITSKY [1953]
Dedicado a Piazzolla

18h MAHLER & BRAHMS
QUARTETOS PARA PIANO E CORDAS
Gustav MAHLER [1860-1911]
Quarteto para piano e cordas em lá menor
Johannes BRAHMS [1833-1897]
Quarteto para piano e cordas nº 1 em sol menor, Op.25
Allegro
Intermezzo: Allegro
Andante con moto
Rondo alla Zingarese
ANTON MARTYNOV, violino
RAFAEL ALTINO, viola
LEONARDO ALTINO, cello
VICTOR ASUNCION, piano

20h FESTIVAL GUSTAV MAHLER [1860-1911]
RÜCKERT-LIEDER (texto de Friedrich Rückert)
Mahler/Gerhard Müller-Hornbach
Blicke mir nicht in die Lieder! (Não olha minhas canções)
Ich atmet’ einen linden Duft (Cheirava um suave aroma)
Ich bin der Welt abhanden gekommen (Desapareci do mundo)
Um Mitternacht ( À meia noite)
Liebst du um Schönheit (Se amas a beleza!)
SAULO JAVAN, barítono
Sinfonia nº 5 em dó sustenido menor
Adagietto
DAS LIED VON DER ERDE (A Canção da Terra)
Mahler/Arnold SCHOENBERG
Das Trinklied vom Jammer der Erde (A Canção de Beber da Tristeza da Terra)
Der Einsame im Herbst (O Solitário no Outono)
Von der Jugend (Da Juventude)
Von der Schönheit (Da Beleza)
Der Trunkene im Frühling (O Bêbado na Primavera)
Der Abschied (A Despedida)
REGINA RUSTAMOVA, mezzo
ALEXANDER TIMCHENKO, tenor
ORQUESTRA VIRTUOSI
RAFAEL GARCIA, regente

DOMINGO 18.12

15h VIRTUOSINHO & ORQUESTRA MENINOS DO COQUE & LANFRANCO MARCELLETTI, regente
Alberto NEPOMUCENO [1864-1920]
Serenata
Antonio VIVALDI [1678-1741]
Sonata para violoncelo e orquestra em mi menor, Op.14 nº5
FERNANDO JOSÉ TRIGUEIRO JUNIOR, cello
Joseph HAYDN[1732-1809]
Sinfonia nº 27
Canções Brasileiras (arr. de Nilson Lopes)
Nesta Rua
O Cravo e a Rosa
Escravos de Job
Peixe Vivo
Pai Francisco
Samba Lê Lê
Klaus BADELT [1967]
Piratas do Caribe (arr. Ted Ricketts)
The Medallion Calls
Blood Ritual
Walk The Plank
The Black Pearl
The Medallion Calls
FESTIVAL DISNEY (arr. Nilson Lopes) –
When you wish upon a star (Pinóquio)
Arabian Nights (Aladin)
Heigh-ho (Branca de Neve)
Beauty & the Beast (A Bela e a Fera)
Bibbidi – Bobbidi – Boo (Cinderela)
Can you feel the love tonight (O Rei Leão)
Under the sea (A Pequena Sereia)

16h FESTIVAL FRANZ LISZT [1811-1886]
Grande etudes de Paganini, S. 141 (1851)
Étude nº1 em sol menor
Étude nº2 em Mi bemol Maior
Étude nº3 em sol sustenido menor, “La Campanella”
Étude nº4 em Mi Maior
Étude nº5 em Mi Maior
Étude nº6 em lá menor
JIHYE CHANG SUNG, piano
SCHUBERT/LISZT
Aufenthalt
Staendchen
Soirees de Vienne Valse Caprice No.6
WAGNER – LISZT
Spinnerlied (da ópera Der Fliegende Hollaender)
Elsas Brautzug (da opera Lohengrin)
Einzug der Gaeste (da opera Tannhäuser)
LISZT
Valse oubliée nº 1
Mephisto Walzer nº 1
PETER LAUL, piano
Rapsódia Húngara em mi bemol maior
Rapsódia Húngara em lá menor
Liebestod (transc.Tristan e Isolde de Wagner)
Gretchen am Spinnrade (transc. Lied de Schubert)
Valsa de Fausto (Gounod)
VICTOR ASUNCION, piano

18h LE QUATUOR CALIENTE
Astor PIAZZOLLA [1921-1992]
Primavera Porteña
Lo que vendra
Romance del diablo
Gustavo BEYTELMANN [1945]
El Desaparecido
Astor PIAZZOLLA [1921-1992]
Fugata
Onda nueve
Alberto GINASTERA [1916-1983]
Danza de la mora donosa
Astor PIAZZOLLA [1921-1992]
Triunfal
Contrabajissimo
Solitude
Enrique SABORIDO [1877-1941]
Felicia
Alejandro SCARPINO & Juan CALDARELLA
Canaro en Paris
Astor PIAZZOLLA [1921-1992]
Otono porteño

Uma noite de homenagens

Dando seguimento ao Ciclo Brahms que se iniciou na noite da quarta-feira, hoje (15), o Virtuosi apresentará as segunda e terceira partes das obras do compositor alemão no Salão Nobre do Teatro de Santa Isabel. A segunda parte será desenvolvida pelo violinista Simon Gollo, o violoncelista Leonardo Altino e o pianista Victor Asuncion.

A terceira e última parte do Ciclo acontece às 18h, ainda no Salão Nobre e contará com a participação do violista Benjamin Sung, do trompetista Luiz Garcia, do pianista Peter Laul e da violoncelista Katarina Bundgaard, que toca pela primeira vez no País à convite do festival.

A conclusão da noite será com a Orquestra Virtuosi & Solistas, as 20h no Teatro de Santa Isabel, que farão um concerto com peças de Christian Lindberg, Friedrich Gulda e Franz Liszt. De Lindberg será apresentado o concerto para viola e orquestra intitulado Steppenwolf, obra escrita para o violista brasileiro Rafael Altino sob encomenda da Orquestra Sinfônica de Odense, Dinamarca.

Em seguida, o violoncelista Leonardo Altino será solista do concerto para cello e jazz band do compositor austríaco Gulda. A noite segue a programação com o concerto nº 2 de Liszt para piano e orquestra que terá como solista o talentoso pianista Peter Laul.

17h CICLO BRAHMS II
Sonata para violino e piano nº 1 em sol maior, Op.78
Vivace ma non troppo
Adagio
Allegro molto moderato
Sonata para cello e piano nº 2 em fá maior, Op.99
Allegro vivace
Adagio affettuoso
Allegro passionate
Allegro molto
SIMON GOLLO, violino
LEONARDO ALTINO, cello
VICTOR ASUNCION, piano

18h CICLO BRAHMS III
Trio para violino, cello e piano em si maior, Op. 8
Allegro con brio
Scherzo
Adagio
Allegro
BENJAMIN SUNG, violino
KATARINA BUNDGAARD, cello
PETER LAUL, piano

Trio para trompa, violino e piano em mi bemol maior, Op.40
Andante
Scherzo (Allegro)
Adagio mesto
Allegro con brio
LUIZ GARCIA, trompa
BENJAMIN SUNG, violino
PETER LAUL, piano

20h ORQUESTRA VIRTUOSI & SOLISTAS
Christian LINDBERG
STEPPENWOLF – Concerto para viola e orquestra

RAFAEL ALTINO, viola
Friedrich GULDA [1930-2000]

Concerto para cello e orquestra
Ouverture – Idylle – Cadenza
Menuett – Finale alla Márcia
LEONARDO ALTINO, cello

Franz LISZT [1811-1886]
Concerto nº2 em lá maior para piano e orquestra
Adagio sostenuto assai – Allegro agitato assai
Allegro moderato – Allegro deciso
Marziale un poco meno allegro
Allegro animato
PETER LAUL, piano

Trombone Unit Hannover é a estrela desta quarta-feira do XIV Virtuosi

Os espetáculos de hoje (14), serão abertos com a dupla Ronan Khalil e Maïlys de Villoutreys, na Série Salão Nobre, no Teatro Santa Isabel. O cravista Khalil, que gravou um CD dedicado a Haendel e criou o Ensemble Desmares especializado no repertório dos séculos XVII e XVIII, acompanhará a mezzo Maïlys numa brilhante apresentação.

Na sequência, os expectadores assistirão a primeira das três partes do Ciclo Brahms. As obras talentoso compositor serão interpretadas pelo violinista e fundador do Festival e Academia do Novo Mundo na cidade de Maracaibo, Simon Gollo, junto ao violista pernambucano e professor da Carl Nielsen Academy of Music, Dinamarca, Rafael Altino, e o pianista e professor de música da Universidade de Memphis, no Tennessee, Victor Asuncion.

Por fim, o festival apresenta o grupo alemão Trombone Unit Hannover que, formado por oito trombonistas, recebeu recentemente o primeiro prêmio no Deutschen Musikwettbewerben 2011 e apresentará um programa especialmente elaborado para o festival. O famoso trombonista sueco Christian Lindberg participa também da programação.

QUARTA 14.12

17h MAILYS DE VILLOUTREYS, mezzo & RONAN KHALIL, cravo

Henry PURCELL [1659-1695]
Music for a While

John BLOW [1649-1708]
Ground in D (cembalo)

William LAWES [1602-1645]
Cupid weary of the court
Fair well fair saint
I burn
Can beauty spring

Henry PURCELL
[1659-1695]
A new Ground (cembalo)
The blessed Virgin’s expostulation

Michel LAMBERT
[1610-1696]
Vos mépris chaque jour
Iris n’est plus
Ombre de mon amant

Jean-Philippe RAMEAU [1682-1764]
“Tristes apprets pales flambeaux” Telaïre (Castor et Pollux)
Suite from Les Indes Galantes (cembalo)
“Rossignols amoureux” (Hippolyte et Aricie

18h CICLO BRAHMS I
Sonata para violino e piano nº 2 em lá maior, Op.100
Allegro amabile
Andante tranquillo
Allegro grazioso

Sonata para viola e piano nº 2 em mi bemol maior, Op. 120
Allegro amabile
Allegro appassionato
Andante con moto

Sonata para violino e piano nº 3 em ré menor, Op.108
Allegro
Adagio
Unpoco presto e con sentimento
Presto agitato
SIMON GOLLO, violino
RAFAEL ALTINO, cello
VICTOR ASUNCION, piano

20h TROMBONE UNIT HANNOVER & CHRISTIAN LINDBERG

Derek BOURGEOIS [1941]
Osteoblast, op. 201

Christian LINDBERG
Reino Cigano para trombone e quarteto de cordas
Solista: FREDERIC BELLI
ENSEMBLE SÃO PAULO
Betina Stegmann, Nelson Rios, violinos
Marcelo Jaffé, viola
Robert Suetholz, cello

Christian LINDBERG
Under the Pillow

Christian LINDBERG
Dr. Decker – o Dentista para 2 narradores and 4 trombones –

Ferdinand DAVID
Concertino op. 4
(arr. para 8 trombones e solo trombone)
Solista: CHRISTIAN LINDBERG
FREDERIC BELLI, HANNES DIETRICH
LARS KARLIN, ANGELOS KRITIKOS
TOMER MASCHKOWSKI, TOBIAS SCHIESSLER
MATEUS SCZENDZINA, MICHAEL ZÜHL
MATEUSZ DWULECKI

Virtuosi: Marlos Nobre diz estar “carregado” de projetos (Jornal do Commercio)

Aos 72 anos, o  compositor pernambucano Marlos Nobre revela que está “carregado” de projetos musicais, entre eles, a criação de três óperas, e confessa estar prestes a colocar um ponto final na esperada Lampião, a sua primeira ópera que espera ver encenada, simultaneamente, em quatro capitais brasileiras. Marlos Nobre estará, hoje, no Teatro Santa Isabel, centro do Recife, para presenciar o lançamento, às 17h, do CD Poema, com toda a sua obra para violoncelo, o instrumento musical ao qual dedica maior devoção.

As 17 peças para celo foram gravadas por dois pernambucanos: o violoncelista Leonardo Altino tendo ao piano Ana Lúcia Altino, sua mãe. O CD será lançado durante o 14º Virtuosi, o festival de música erudita dirigido pelo maestro Rafael Altino, que vai até o próximo dia 18, sempre no Teatro Santa Isabel.

Sobre Leonardo Altino, Marlos Nobre não economiza elogios: “Meu grande intérprete, hoje, no violoncelo e o que melhor entendeu minha mensagem e minha maneira de sentir e escrever para ele, além de sua sensibilidade à flor da pele”, diz. O compositor anuncia que pretende compor “um grande concerto para violoncelo e orquestra” e que deseja que a estreia mundial seja feita por Leonardo Altino como solista.

O CD pode ser ouvido, com permissão para o download, no site www.virtuosi.com.br/poema/

Após o lançamento do CD, Marlos Nobre assistirá a apresentação ao vivo de seis faixas do CD com Leonardo Altino e Ana Lúcia Altino: Desafio II, Três Cantos de Iemanjá, Cantorio I, Cantilena II, Cantilena III e Poema III. Em seguida, às 18h, o Quinteto da Paraíba (cordas) apresentará recital com obras de Chico César, Sivuca, Capiba, Lenine, Jackson do Pandeiro, Guerra Peixe e Antonio Madureira. Às 20h, a apresentação da Orquestra Virtuosi e solistas sob a regência de Rafael Garcia, com peças de Christian Lindberg (trombone) e Antonio Vivaldi (concertos para cordas e cembalo).

Leia a seguir a entrevista na íntrega concedida por Marlos Nobre, via e-mail, ao Jornal do Commercio:

Jornal do Commercio – O que representa na sua vasta obra a gravação de Poema, CD com obras   para celo e piano?

Marlos Nobre – É um momento importante porque este CD Poema traz tudo que escrevi para violoncelo (solo e com piano) até o momento. É, portanto, a primeira integral até hoje e com o amor que dedico ao instrumento, outras obras  virão e já estão em preparação.

JC –  O senhor disse que foi influenciado no século 20 por Debussy, Bartok e Lutoslawski, que inovaram a linguagem musical sem romper com a tradição. Hoje, quem influencia Marlos Nobre? Marlos Nobre?

MN – É isso mesmo, hoje não existem mais influências de outros compositores e ouço cada vez mais a minha própria música interna. Portanto é de mim mesmo que flue, hoje, a grande influência de minha criação   musical.

JC –  O maior compositor brasileiro, vivo, ainda tem planos para o futuro?

MN – Estou carregado de projetos e as horas do dia não bastam mais. No momento termino uma grande obra sinfônica encomendada por meu amigo José Antonio Abreu, que terá sua estreia pela Simon Bolivar Symphony Orchestra, da Venezuela,  dirigida pelo mais importante regente jovem do mundo, meu também querido amigo Gustavo Dudamel. Além disso, ultimo minha primeira grande ópera e tenho encomendas de mais 10 obras de grande porte, um novo Concerto para Piano, um Concerto para Violoncelo, um novo Quarteto de Cordas, uma nova Cantata. Enfim, é trabalho duro e trabalho hoje 12 horas por dia, sem parar e é insuficiente!

JC – O público espera a finalização e encenação de Lampião, sua primeira ópera. O que foi feito dela?

MN – É justamente esta ópera que estou finalizando, finalmente. Uma ópera grande, que não é simples (aliás como toda ópera!). Um trabalho destes só vou estrear quando estiver perfeito e em condições ideais.   Felizmente, vejo hoje o Brasil avançado em termos de produções operísticas,  destacando-se o Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte e Manaus. Vamos ver em qual destes grandes teatros vou estrear meu Lampião. Na   realidade, espero que seja uma estreia simultânea ou sucessiva  nestes quatro grandes centros. Cantores, felizmente, temos de grande nível, grandes orquestras e grandes maestros, diretores de cena, cenógrafos, enfim, o momento chegou. Há alguns anos atrás era impossivel. Estou colocando agora os pontos finais na grande ópera Lampião, podem esperar.

JC – O violoncelo sempre foi um de seus instrumentos diletos. Podemos  contar com mais peças para celo?

MN – Minha meta imediata para o violoncelo agora é um grande Concerto para Violoncelo e Orquestra cujos traços fundamentais e movimentos já estão esboçados. Uma encomenda para a finalização da obra é entretanto essencial, pois hoje trabalho fundamentalmente com encomendas e tenho de colocar este projeto na fila. Mas o meu sonho é este concerto e espero que seja estreado pelo Leonardo Altino, meu grande intérprete, hoje, no violoncelo e o que melhor entendeu minha mensagem e minha maneira de sentir e escrever para ele, além de sua sensibilidade à flor da pele.

JC – Como o senhor analisa a produção de música erudita no Brasil? Há compositores que lhe despertam interesse e aplausos?

MN – Eu vejo com grande satisfação, em primeiro lugar, a quantidade incrível de novos compositores surgindo no Brasil. Eu sempre recebo em casa, aos sábados, quando estou no Brasil, os jovens que veem me mostar suas  obras novas e ouvir meus comentários. Tenho notado a crescente leva de bons compositores, um fator digno de nota. Não quero mencionar um ou dois, isso seria até indelicado, pois vejo em todos que tenho ouvido um grande talento, verdadeiro interesse e amor pela profissão. A eles dedico atenção e dou dicas constantes para o futuro. Eles representam a esperança da música no Brasil e espero que vençam as dificuldades terríveis de uma carreira de compositor de música de concerto no Brasil atual.

JC – O Nordeste ainda é fonte de inspiração para o senhor ou a globalização musical força o afastamento da chamada cultural popular?

MN – O Nordeste e, particularmente, Pernambuco, e mais ainda o Recife, nunca se afastaram de minha mente criadora. Eu sempre tenho afirmado que é no baú das recordações musicais de minha infância no Recife, menino na Rua de São João, Bairro de São José, ouvindo os maracatus, fevos, cirandas, caboclinhos, que ficaram as marcas de minha música mais profunda. Este é o Recife profundo, o Pernambuco fundamental, as fontes puras e mais vitais de minha música. Isso é irreversível e o mundo inteiro já sabe e cita em todas   minhas biografias. A globalização para mim é a pluralidade com a marca do local, só podemos ser globais se carregamos conosco a essência da nossa  fomação primeira, das nossas fontes vivas. O artista que perder isso está, em   minha opinião, perdido para sempre. E este não é o meu caso.

JC – Por que o Brasil insiste em desconhecer a música erudita criada no País?

MN – São muitos “porquês”… mas fundamentalmente trata-se de um complexo hereditário de valorizar o que vem de fora, de ter de se mostrar antenado com o estrangeiro. O nosso jovem conhece e procura conhecer mais o que se faz em Londres e nos Estados Unidos, e canta mais em inglês do que em português ou espanhol. Os meios de comunicação servem às grandes forças das indústrias culturais e o lixo musical, qualquer coisa, que venha de fora, supera qualquer obra prima local. O nosso jovem ainda se envergonha de cantar em “brasileiro” e adora mostrar-se informado de tudo que se passa em … inglês.   Não sou nacionalista em criação músical, mas, sim, profundamente nacional em termos de política cultural e acho que aqui pecamos muito. Deixamos que a indústria da “coca-cola musical” invada nossos lares, nossos meios de comunicação (pela força do jabá e do dinheiro) empurrando para baixo as manifestações da música popular e de concerto do nosso país. Para mim isso é crime cultural, pois não somos mais uma república de bananas.

JC – Como anda o ensino da música no Brasil? Os cursos estão à altura da genealogia musical do brasileiro?

MN – O ensino vai excepcionalmente bem, é incrível o que acontece hoje no Brasil. Tem conservatórios de música como o de Tatuí, em São Paulo, que são verdadeiras usinas de formação de novos músicos.Temos coisas como a favela de Heliópolis (SP), com mais de dez orquestras de jovens, temos praticamente em todos os estados conservatórios e cursos de música produzindo músicos da maior qualidade. Hoje podemos formar tranquilamente cem orquestras sinfônicas ou populares somente com músicos brasileiros e de grande qualidade. Isso é uma maravilha. Mas veja um paradoxo: ainda algumas de nossas orquestras insistem em importar músicos do exterior para seus quadros, desprezando o material disponível de jovens brasileiros. Digamos que isso já melhorou, mas não tem mais cabimento continuar com isso no Brasil. Os jovens se formam aqui e merecem serem os primeiros a integrarem nossas orquestras, isso teria de ser uma norma de escolha, sempre ressalvando o fator qualidade, que já existe. Nossos jovens ainda vão para o exterior tentar a vida por lá, quando aqui seria seu habitat natural e mais lógico. Esta é uma questão de afirmação nacional também.

JC- Qual a obra que o senhor gostaria de compor e ainda não fez? Por qual razão?

MN – Tudo é questão de tempo. Se eu lhe disser que tenho um projeto a longo prazo de oito (8) óperas, hoje, parece meio utópico não é? Uma coisa é certa: a obra que eu gostaria de compor não é somente uma, mas a minha obra total e inclui necessariamente pelo menos trêsa (3) novas óperas.

Festival Virtuosi leva grandes músicos ao Teatro de Santa Isabel (Pernambuco.com)

Momentos de profunda trascendência musical devem envolver o público recifense no festival Virtuosi, cuja 14ª edição ocorre de 13 a 18 de dezembro no Teatro de Santa Isabel, com entrada grátis.

Um dos momentos mais interessantes da programação ocorre já no primeiro dia, quando será lançado o ótimo CD Poema, com músicas do compositor Marlos Nobre interpretadas pelo violoncelista Leonardo Altino ao lado de sua mãe, a pianista Ana Lúcia Altino. Eles se apresentam às 17h, nesta terça, no Salão Nobre, localizado no primeiro andar do teatro. A dupla tocará sete faixas do disco.

De quarta a sexta, o Salão Nobre abrigará um clico de obras do compositor alemão Johannes Brahms, tocadas ao vivo por pequenos grupos de músicos brasileiros e estrangeiros (ver programação abaixo).

No palco principal do Teatro de Santa Isabel, a programação alterna clássicos universais com obras de compositores contemporâneos. Franz Liszt (bicentenário de seu nascimento) e Gustav Mahler (centenário de morte) são os compositores homenageados deste ano. Entre os artistas convidados que se apresentam durante a semana estão gênios como o acordeonista ucraniano Alexander Hrustevich (sua sanfona vale por uma orquestra sinfônica) e o trombonista sueco Christian Lindberg, que também é compositor e regente. Da França, vem o grupo Le Quatuor Calient, dedicado ao Tango, que encerra o festival.

Obras de Mahler (cujas sinfonias transmitem a complexidade da alma humana) serão ouvidas principalmente no sábado, às 20h, quando uma orquestra regida pelo maestro Rafael Garcia (diretor artístico do Virtuosi) será acompanhada pelo tenor russo Alexander Timchenko e pela cantora mezzo-soprano Regina Ristamova, nascida no Azerbaijão. Já as peças de Liszt serão melhor apreciadas às 16h do domingo (pelas mãos do pianista filipino Victor Assunción) e às 20h da quinta (com o russo Peter Laul ao piano).

Paixão de Cristo por Bach (Jornal do Commercio)

O festival Virtuosi, em sua 14ª edição, teve sua abertura no último sábado, na Igreja da Sé, com um concerto de violoncelo do músico pernambucano Leonardo Altino. Integrante do Cerutti String Quartet, o solista tocou na íntegra as Seis suítes para violoncelo solo, de Johann Sebastian Bach (1685-1750), uma das mais famosas peças feitas para o instrumento. A partir de amanhã, o evento passa a ser realizado no Teatro de Santa Isabel e no Centro Cultural de São Francisco, em João Pessoa.

A apresentação faz parte da primeira etapa do Virtuosi, a Cello Fest. Para executar a composição, Leonardo Altino precisou de cerca de duas horas, com hora de intervalo. Sempre expressivo, o violoncelista aliou sua técnica com uma interpretação pessoal da obra, valorizando o sentido transcendental.

A Igreja da Sé recebeu um bom público, mas não lotou. Apesar da amplificação sonora, fogos de artifício interromperam por vezes a execução do violoncelista nas três primeiras suítes. Com algum constrangimento, Leonardo parou por instantes a música, para depois recomeçá-la sem grandes problemas.

Antes de apresentar as duas suítes finais (Suíte n° 5 em dó menor e Suíte n° 6 em ré maior), sem dúvidas as mais emocionantes e trabalhosas do repertório, o violoncelista comentou a importância da obra. Destacando a religiosidade de Bach, contou que algumas interpretações da composição defendem que o alemão queria representar na obra as seis etapas da vida de Jesus Cristo. Em clima mais “escuro e nebuloso”, a quinta suíte traria o momento da crucificação do personagem, enquanto a última peça homenagearia a ressurreição do profeta. A Igreja da Sé se mostrou uma excelente escolha de local, ajudando a ressaltar a conexão da obra com os temas da religião católica.

OLINDA ABRE APRESENTAÇOES DO XIV VIRTUOSI

Olinda será sede, no dia 10, da abertura do XIV Virtuosi, que tem patrocínio do Ministério da Cultura e do BNDES. A cidade, que recebe o festival pelo segundo ano consecutivo, tem nas suas ladeiras, belas casas, e suntuosas igrejas, um belíssimo e indiscutível pano de fundo para as apresentações especiais e inéditas do evento. A primeira delas, realizada na Igreja da Sé a partir das 18h, ficará a cargo do violoncelista Leonardo Altino. O músico, famoso por suas exibições como solista das principais orquestras brasileiras, além das sinfônicas do Chile e Bogotá, traz pela primeira vez na região as Seis Suítes de Johann Sebastian Bach para cello solo. Serão dois concertos seguidos com intervalo entre os dois quando será servido um pequeno coquetel ao público presente, prática comum nas grandes salas de concerto.

No domingo (11), a partir das 16h, o público será presenteado com a participação dos grupos Cellos UFRN & Percumpá, que trazem para o Estado um espetáculo emocionante e inovador, mesclando clássicos da música erudita com a irreverência dos percussionistas do grupo Percumpá. Em seguida, as 18h, o conjunto dinamarquês Arild Kvartetten faz sua primeira apresentação no Brasil. Fechando os dois dias de espetáculos no Sítio Histórico, o Virtuosi apresenta, pela primeira vez no País, o grupo alemão Trombone Unit Hannover. Formado por oito jovens músicos da Escola Superior de Música e Teatro de Hannover, a banda vem para provar porque tem a prateleira cheia de prêmios importantes, como ARD International Music Competition, o International Instrumental Competition Markneukirchen. O XIV Virtuosi continua de 13 a 18 de dezembro no Teatro de Santa Isabel.

Ministério da Cultura e BNDES apresentam:
XIV VIRTUOSI
OLINDA –  Igreja da Sé

Entrada franca
Sábado 10.12
18h – Cello Fest com Leonardo Altino
20h – Cello Fest com Leonardo Altino

Domingo 11.12
16h – Cello Fest Cellos UFRN & Percumpá
18h – Arild Kvartetten
20h – Trombone Unit Hannover

Virtuosi: Bach é como conversar com Deus, diz Leonardo Altino (Jornal do Commercio)

O 14º Virtuosi será aberto este ano com um desafio. A execução das Seis Suítes para Violoncelo Solo, de Johaann Sebastian Bach (1685-1750), pelo violoncelista Leonardo Altino, 39 anos, que reside há mais de 25 nos Estados Unidos onde leciona na Universidade de Memphis, no Tennessee.

A abertura será sábado, 10, às 18h, na Igreja da Sé, em Olinda, em recital com intervalo com coquetel por causa da extensão e complexidade da obra. Entrada franca.

“Bach compôs pensando em várias vozes, mesmo quando escreveu para um único instrumento, mas ainda assim há algo nas suítes tão simples”, comentou Leonardo Altino em entrevista, via e-mail, de Memphis. E explicou: “Não sei, é como se ele, através de sua música, estivesse conversando com Deus, expressando sentimentos do coração que as palavras não conseguem traduzir”.

As Suítes para Celo, de Bach, tiveram muitas gravações, como as versões de Pablo Casals, Mstislav Rostropovitch, Janos Starker, Pierre Fournier, Yo-Yo Ma, Antonio Meneses, Anner Bylsma, Jaap Ter Linden, Jacqueline Du Pré e Maurice Gendron, e outras celistas menos famosos, como as interprtações de Bruno Cocset e Truls Mørk. As Suítes, porém, são consideradas obras máximas, obrigatórias a qualquer celista de primeira linha. Um desafio tão grande que não existem duas interpretações iguais.

A Cello Fest, no 14º Virtuosi, prossegue, domingo, na Igreja da Sé, a partir das 16h, com a apresentação do grupo UFRN Cellos & Percumpá, que executará obras de Bach, Heitor Villa-Lobos, M. Stuba, Liduino Pitombeira, Ernst Widmer, Astor Piazzola e Daniel Johnston.

Às 18h, no mesmo local, o Arild Kvartetten apresentará peças de Hugo Wolf, Amadeus Mozart e Johannes Brahms. E, a partir das 20h, o grupo Trombone Unit Hannover executará composições de Georg Friedrich Handel, Enrique Crespo, Derek Bourgeois, Saskia Apon e Daniel Schnyder.

Leia a seguir a entrevista exclusiva de Leonardo Altino ao Jornal do Commercio:

Jornal do Commercio – Existe algo de especial no som do violoncelo?
Leonardo Altino – O que me atraiu ao violoncelo foi o seu som. Acho que tem uma proximidade maior com a voz humana. Ele é capaz de cantar como barítono e até como um soprano.
JC – É verdade que existe algo de sexual na combinação de músico e instrumento (violoncelo)?
Leonardo – Olha, eu realmente nunca pensei nesses termos. Já ouvi comentários sobre a maneira que a pessoa toca o violoncelo, podendo ser sensual … mas não deixa de ser apenas um objeto.
JC – Por que escolheu tocar as Seis Suítes para Violoncelo, de Johann Sebastian Bach?
Leonardo – As suítes de Bach são o que há de mais puro e bonito escrito para o violoncelo. Apesar de compostas séculos atrás, sua beleza transcende o tempo. Acho que há nelas algo muito íntimo, também. Bach compôs pensando em várias vozes, mesmo quando escreve para um único instrumento, mas ainda assim há algo nas suítes tão simples. Não sei, é como se ele, através de sua música, estivesse conversando com Deus, expressando sentimentos do coração que as palavras não conseguem traduzir.
JC – O senhor costuma impor suas concepções quando participa de um concerto ou aceita as indicações do maestro?
Leonardo – Acho que o bonito na vida é quando a gente aprende um com o outro, e o palco é um lugar onde a gente compartilha vidas, conceitos, ideias, sentimentos, emoções. Enfim, é um diálogo e não um monólogo.
JC – Como é interpretar essa peça de tão difícil execução?
Leonardo – Não é fácil. Existem dificuldades técnicas que são realmente grandes em cada um delas e existem as dificuldades mais espirituais, digamos assim. No final, o importante é o intérprete tratar de superar as dificuldades técnicas e viver aquele momento, mesmo em frente a várias pessoas, de uma maneira transparente. No fundo, acho que é isso o que acontece a cada momento de nossas vidas, mesmo em um concerto: intérprete e público, ambos têm a oportunidade de abrir o coração e dar algo (ou receber algo). E acho que é essa habilidade que o ser humano tem que nos traz a maior satisfação. E, ao mesmo tempo, é uma das coisas mais difíceis de se fazer porque há sempre um risco quando a gente abre o coração.
JC – Existem mais de 40 grandes gravações das Seis Suítes para Violoncelo. Alguma que o senhor goste mais ou na qual se inspirou ou tomou como modelo?
Leonardo – Não sei. Existem tantas gravações e eu não conheço metade delas. Pablo Casals foi uma pessoa que nos trouxe de volta essas obras. Ele fala quando toca essas peças. Dos intérpretes atuais, eu gosto bastante da gravação do celista suíço Thomas Demenga.
JC – Quais são os graus de dificuldade da obra de Bach? Poderia apontar alguns?
Leonardo – Acho que a dificuldade maior está em fazer essa conexão com a música em um nível mais profundo, além da parte técnica (que é mais superficial). Dois exemplos interessantes são encontrados nas últimas duas suítes: a quinta, em dó menor, e a sexta, em ré maior. A quinta foi escrita para o celo com a corda “lá” (a mais aguda) um tom mais baixo (“sol”). Isso complica muito a música para a gente e muitos celistas optam por tocar um arranjo para o violoncelo com a corda “lá” afinada normalmente (Seria como se você fosse tocar um “dó” no piano, mas o que sai é um “si bemol”. Isso é complicado porque o que você lê na música é um “dó”, mas o que você ouve é algo diferente). A sexta suíte também tem uma estória interessante porque foi composta para um instrumento como o violoncelo com cinco cordas (uma corda “mi” acima do lá, a mais aguda atualmente). Isso também complica a parte técnica porque não temos mais essa corda extra, então temos que tocar muita coisa na parte superior do celo, o que não é nada fácil.
JC – O senhor toca a Suíte desde quando? Já existe uma gravação sua?
Leonardo – Comecei a estudar a primeira suíte ainda quando bem pequeno. Talvez com sete anos de idade. Muitos professores utilizam alguns movimentos daquela suíte como uma espécie de “estudo” para crianças. Não lembro muito daquela época. Quanto à gravação, ainda não fiz. Espero um dia fazer.