Virtuosi: Estrelas internacionais no Recife

Por Irineu Franco Perpetuo

OK, a internet efetivamente diminui as distâncias entre as pessoas, mas ainda não resolve todos os problemas. Porque, às vezes, as estruturas mentais do passado persistem como vício, e, no eixo Rio-São Paulo, nem sempre estamos tão atentos como deveríamos ao que acontece no resto do país.

Por exemplo: embora, em Pernambuco, desde 1998, o casal Ana Lúcia Altino/Rafael Garcia promova anualmente o Festival Virtuosi, muita gente no nosso meio musical nem ouviu falar no evento. Estive no Recife em 2007, para cobrir, e, em dezembro do ano passado (uma semana antes do Natal, de 17 a 21), como palestrante de um evento paralelo, o Festival Ibero-Americano (que destacava Marlos Nobre, entrevistado deste mês da revista Concerto), e tive uma surpresa das mais favoráveis com o nivel artístico do evento.

Os concertos acontecem no belíssimo Teatro de Santa Isabel – construído por 1850, refeito em 1869, após um incêndio, e, depois de sete anos de reformas, reinaugurado em 2002. Os músicos que visitam a cidade (como os integrantes do Ensemble São Paulo), além de tocar música de câmara, formam a orquestra do festival, que atua sob a regência de Rafael Garcia – um chileno que está radicado no Brasil há décadas, e foi “spalla” da Osesp nos tempos de Eleazar de Carvalho (sua mulher, Ana Lúcia, como pianista, também foi membro da Osesp pré-Neschling).

No ano passado, já como efeito da crise financeira global, eles tiveram um corte imprevisto de patrocínio (e, conseqüentemente, de verba) à última hora. Mesmo assim, montaram uma programação de dar inveja.

Eu fiquei absolutamente encantado com o contratenor francês Philippe Jaroussky, que já conhecia de disco, e, dois dias antes, havia se apresentado no Rio (mas, infelizmente, não veio a SP). Acompanhado de Jérôme Ducros, um pianista de grande personalidade, ele cantou, com muita técnica, musicalidade e senso de estilo (e sem aquele vibrato excessivo que se transformou em irritante vício de tantos cantores líricos) um refinado programa de canções francesas do início do século XX, que, em março deste ano, deve sair em CD pela Virgin.

Outro must foi o excepcional violinista russo Ilya Gringolts, que, das vezes que esteve aqui em São Paulo, deixou todo mundo boquiaberto. Acompanhado da pianista Marianna Shirinyan, Gringolts fez um programa incomum, incluindo uma sonata a ele dedicada por Sir Peter Maxwell Davies e peças de Szymanowski, Ravel e Schubert. Ele não tem aquele som “gordo” que habitualmente associamos à escola russa de violino, mas possui um domínio técnico inquestionável, e uma musicalidade impressionante.

Além disso, estiveram o violinista alemão Nicolas Koeckert, laureado no Concurso Tchaikovsky, em 2002; o trombonista sueco Christian Lindberg, que vem alargando o repertório e as possibilidades de seu instrumento; e o romeno Catalin Rotariu, que executa no contrabaixo as peças mais difíceis e virtuosísticas do repertório do violoncelo.

Isso sem falar nas estrelas “da casa”, como o violoncelista Antonio Meneses, lançando seu disco em duo com a pianista Celina Szrvinsk; o também violoncelista Leonardo Altino, filho de Rafael e Ana Lúcia, com um Haydn maduro e surpreendente; e Naná Vasconcelos, o maior percussionista popular que o Brasil já teve, recebendo uma justa homenagem e exibindo seu talento na noite de abertura do festival. Vale a pena ficar atento às próximas edições do festival.

Matéria publicada originalmente na Revista Concerto

Entrevista com Christian Lindberg

Por Josias Monteiro

Christian Lindberg, além de ser o mais conhecido solista do mundo no trombone, é também professor, regente e compositor. Além disso tudo, ele verdadeiramente atua no palco, interpretando suas extravagantes composições e estreando diversas obras no mundo todo. Recentemente, Lindberg foi eleito pelos principais editores de música clássica da Europa como um dos maiores instrumentistas do século XX, ao lado de nomes como Milles Davis e Louis Armostrong.

Lindberg se apresenta pela segunda vez no Recife, no Festival Virtuosi. Ano passado ele interpretou o “Concerto da Motocicleta”, que imita todos os sons da moto no trombone, no palco do Teatro de Santa Isabel. Neste ano, ele toca a “Kundraan”, peça de sua autoria, inédita no Brasil, composta enquanto ele esteve no Recife. Lindberg se apresenta no dia 17 de dezembro, no Festival Virtuosi, e ministra uma concorrida Master Class para mais de 100 inscritos na Livraria Cultura, no dia 19 de dezembro.

Lindberg, qual a importância das suas performances teatrais nos concertos?
A música e o teatro sempre tiveram uma ligação, e desde muito jovem eu tenho um interesse especial pelo teatro. Eu acredito que, nas performances, o mais importante é fazer as pessoas se comoverem e sentirem vivas – a combinação de musica e teatro é particularmente poderosa.

O que diferencia um artista especializado, que se atem a ser somente solista, ou solista e professor, e um artista múltiplo como você, que rege, compõe, toca e ensina?
Quanto melhor você for como compositor, melhor você se tornará regente, e melhor você será solista. Estes três assuntos são interligados e, enquanto você tiver energia e tempo, melhor músico você será. Ainda mais se puder ser, como antigamente, tanto um instrumentista, como um regente e compositor.

A música tem elementos que se relacionam ao intelecto, às emoções e à espiritualidade, qual deles sua música toca mais forte?
Todos os três elementos são uma combinação e têm que ter um balanço perfeito. Entretanto, se deve recordar que a música é parte de um mundo completamente diferente e abstrato, então emoções e espiritualidade podem ser o mais importante. Porém, sem a mente intelectual você se tornaria um artista muito superficial.

Como funciona a dinâmica da sua Master Class?
A pergunta estará completamente aberta a todos, e quando houver apenas alguns músicos que podem ser selecionados para tocar, a coisa importante é o ouvinte prestar atenção e aprender. Esta é a maneira ideal de comunicar o conhecimento em pouco tempo.

Lindberg, você já tocou algumas vezes no Brasil. Alguma diferença distingue o público brasileiro do público europeu?
Eu amo a audiência brasileira por ser tão viva e ter tanto poder emocional. É como uma festa cada concerto!

Como foi tocar o ano passado no Recife uma obra como o “Concerto para Motocicleta”?
Eu achei muito divertido! Foi uma ótima orquestra e a audiência estava interessada, eles não eram muito conservadores.

Você já estreou 200 obras de compositores os mais diversos. Como é a sensação de apresentar uma obra nunca antes tocada?
É muito, muito emocionante, como um passeio em uma floresta que onde ninguém já esteve. Você não tem idéia nenhuma de como a audiência irá responder e igualmente nenhuma idéia do impacto que a peça terá em 40 ou 50 anos. Por exemplo, eu nunca poderia imaginar na estréia do “Concerto para motocicleta” que eu iria tocá-la mais de 650 vezes em todo o mundo!!!

Melhor trombonista do mundo realiza master-classe na Livraria Cultura

Considerado pela critica especializada como o melhor trombonista da atualidade, dividindo ao lado de Louis Armstrong e Miles Davis o posto como um dos melhores instrumentistas de metais de todos os tempos, o sueco Christian Lindberg ministra uma Master Classe para iniciados no instrumento nesta sexta-feira, 19 de dezembro, na Livraria Cultura, a partir das 14h. Oportunidade única para os músicos residentes ou que passam pela cidade de aprimorarem sua técnica. Mais informações no 33630138 ou através do email info@virtuosi.com.br.

Antônio Meneses lança disco no Virtuosi

O pernambucano Antônio Meneses aproveita sua passagem pelo XI VIRTUOSI para lançar em Recife o disco “Soirée Internationales – Villa-Lobos, Boulanger, Camargo Guarnieri, Martinu in Paris” que o violoncelista gravou com a pianista Celina Srvinsk. Antônio Meneses se apresenta no segundo dia do festival, 18 de dezembro, às 21h. O VIRTUOSI acontece de 17 a 21 de dezembro, no Teatro de Santa Isabel, a partir das 17h. Ingressos variam de 10 a 20 reais. Mais informações: 81 3363 0138 ou virtuosi.com.br.

Virtuosi anuncia programação no Mingus

O restaurante Mingus, em Boa Viagem, foi o local escolhido pela produção do Virtuosi para lançar, ontem (24.11), a programação deste ano que tem como homenageado o percursionista pernambucano Naná Vasconcelos. Sob a direção do maestro Rafael Garcia, a décima primeira edição do festival traz a Recife nomes consagrados da música de concerto como o trombonista sueco Christian Lindberg (considerado o melhor do mundo), Philippe Jarrousky (artista lírico francês em 2007), Ilya Gringolts (Prêmio Paganini), Nicolas Koeckert (Prêmio Tchaikovsky), Kristina Miller-Koeckert (Prêmio Steinway), o pernambucano Antônio Meneses online casino gratis, entre vários outros.

XI Virtuosi

O VIRTUOSI – Festival Internacional de Música de Pernambuco traz, mais uma vez ao Recife, nomes consagrados da música de concerto que vêm ao Brasil exclusivamente para o festival que acontece de 17 a 21 de dezembro no Teatro de Santa Isabel. Em seu décimo primeiro ano, o VIRTUOSI homenageia o pernambucano Naná Vasconcelos considerado, pela crítica especializada, um dos maiores percussionistas do mundo. Os ingressos do festival variam de 10 a 20 reais e encontram-se à venda nas lojas Mon Papier do Shopping Recife e Plaza Casa Forte.

Nesta edição, o VITUOSI divide seu programa em três séries de concertos às 17h, 19h e 21h, com uma programação diferenciada reunindo o que há de novidade na produção erudita contemporânea, além de oferecer ao público pernambucano uma execução virtuosa de grandes peças como as obras de Chopin, Brahms, Mozart, Tchaikovsky, entre outras. A homenagem a Naná Vasconcelos acontece no dia 18 de dezembro e traz o ilustre músico à frente da Orquestra Virtuosi. Naná apresentará, entre outras obras, o Concerto para Berimbau e Orquestra”.

Destaque do VIRTUOSI 2007, o trombonista sueco Christian Lindberg volta à capital pernambucana com Kundraan, obra de sua própria autoria inédita no Brasil, finalizada quando o músico esteve no Recife. Considerado um dos maiores instrumentistas de sopro do mundo, ao lado de Miles Davis e Louis Armstrong, Lindberg se apresenta acompanhado da Orquestra Virtuosi, sob a regência do maestro Rafael Garcia, no dia 20 de dezembro. Lindberg ministra, ainda, uma Master Class na Livraria Cultura para músicos iniciados em instrumentos de sopro.

Artista Lírico do ano de 2007 na França, o contratenor francês Philippe Jaroussky é mais um destaque do VIRTUOSI 2008. Reconhecido por sua técnica virtuosa de melisma e pela interpretação de cantatas e óperas barrocas, Jaroussky conquistou aos 30 anos um lugar privilegiado no panorama da música internacional. O contratenor vem ao Recife com apoio do Consulado Geral da França e se apresenta no sábado, 20 de dezembro, com o pianista francês Jérôme Ducros. Outra atração de destaque, o violinista Nicolas Koeckert, primeiro artista alemão a receber um dos principais prêmios do Concurso Internacional Tchaikovsky em Moscou, se apresenta no dia 17 ao lado de sua esposa, a pianista russa Kristina Miller-Koeckert, detentora do prêmio “Steinway” de Munique. Ambos participam do festival sob os auspicio us do Consulado Geral da Alemanha no Recife.

O encerramento do XI VIRTUOSI traz a apresentação de dois quintetos para piano – Schumann & Dvorak – que serão executados pelo grupo formado por Ilya Gringolts, Anahit Kurtikyan, Rafael e Leonardo Altino e a pianista Marianna Shirinyan. Considerado pela crítica especializada como um dos melhores violinistas da atualidade, o russo Ilya Gringolts é a principal atração da última noite do festival. Até hoje, é mais jovem músico a receber o Prêmio Paganini. Com mais de 6 CDs gravados para a Deutsche Grammophon, incluindo o “Concerto Tríplice de Beethoven” com Claudio Abbado, Ilya é um Hiperion Artist. No VIRTUOSI, Ilya realizará seu recital acompanhado casino online da pianista Marianna Shirinyan.