Radegundis durante o VI Virtuosi Brasil

Radegundis durante o VI Virtuosi Brasil

A noticia da trágica morte de Radegundis deixou o mundo musical triste, perplexo e chocado. Perdemos um dos poucos gênios humanos e musicais que tivemos o privilégio de compartilhar. Considerado como um dos maiores trombonistas do país, hoje estaria embarcando para participar do Festival de Inverno de Campos do Jordão.

Primeiro Doutor em Trombone do país, era um grande batalhador e divulgador da música brasileira. Percorrendo o mundo com o Quinteto Brassil, do qual era líder e inspirador há mais de 20 anos, deixou inúmeras gravações inclusive com o selo Nimbus de Londres.

O Brasil perde um grande músico, um grande artista, uma grande pessoa. Sempre muito positivo, otimista e tratando de colocar no caminho certo as ovelhas perdidas, tinha uma honestidade e ética na sua profissão que certamente servirá como exemplo a ser seguido por todos nós.

Conhecemos Radego, como era chamado na intimidade, quando chegou de Itaporanga para fazer teste para ingresso no Departamento de Música da UFPB, antes dos anos 80. Foi um aluno brilhante do professor francês Jacques Ghestem e em curto periodo de tempo o substituiu, tanto na Orquestra Sinfônica da Paraíba como no Departamento de Música. Aí começava sua carreira como grande professor, passando a ser requisitado por todos cantos desse enorme país, de Manaus a Porto Alegre.

Dedicado ao extremo ao seu instrumento, era normal ver este artista com seu bocal em qualquer lugar da cidade como fila de banco, fila de cinema, dentro da piscina, entre outros.

Em um momento crítico da cultura musical no nordeste, Radegundis foi um dos líderes do movimento de criação da Orquestra Filarmônica Norte/Nordeste. Esse foi um grito de desespero de nossa comunidade musical ante a incapacidade ou falta de sensibilidade dos governantes com a classe artística. Trabalhamos juntos durante um ano sem ninguém receber um tostão com o intuito de mostrar a importância da música clássica. Obviamente isto marcou demais a raça desde nordestino que dava o seu sangue para ter a bandeira da música no topo com brilho, honestidade e trabalho.

Ficamos felizes quando ele ganhou a bolsa de estudos para a Juilliard School, onde foi um aluno excepcional e quando todos nós pensávamos que ficaria na terra do Tio Sam ou voltaria para São Paulo. Eis que ele volta, sob nossos protestos, para o Nordeste, onde o calor da terrinha e o florescer dos cajus pediam seu retorno.

Radego deixa seu legado através de seus alunos e de sua brilhantes master classes que, com seu carisma, eram leves e promissoras, ambiente que ele costumava criar ao seu redor.

Radegundis era participante assíduo do Virtuosi. Não se poderia pensar em um naipe de trombones sem sua presença no comando. Mas humilde como sempre foi, quando havia artistas convidados do exterior, cedia a primeira posição e estava ali pronto para colaborar da melhor forma possível.

Sua última participação no Virtuosi foi no dia 22 de maio deste ano, quando o Quinteto Brassil se apresentou no VI VIRTUOSI BRASIL, realizado no Centro Cultural Correios. Uma apresentação que conseguiu cativar a platéia de tal forma que levou o jornalista a publicar no seu twitter ““O clima de entrosamento e camaradagem do Quinteto estende-se tão bem à platéia que todos saem rindo da apresentação””.

Sua morte é uma perda irreparável e com estas curtas frases queremos ser solidários com sua família, tendo a certeza de que o exemplo por ele deixado não será em vão.

Nosso carinho, nosso amor estará sempre com você e gostaríamos de compartilhar com todos uma foto que resume quem foi você, Radego, nosso amigo.

(Por Ana Lúcia Altino e Rafael Garcia)