Poema

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Leonardo Altino
Filho de músicos, o violoncelista brasileiro Leonardo Altino começou seus estudos musicais aos cinco anos de idade e realizou sua primeira apresentação aos oito. Aos onze, tocou pela primeira vez com uma orquestra sinfônica o Concerto nº 1 de Saint-Saëns. Sua descoberta nacional veio em 1986, aos quatorze anos, quando Leonardo foi o mais jovem vencedor no concurso “Jovens Concertistas Brasileiros”, competição de prestígio no Rio de Janeiro, que o levou a se apresentar com as principais orquestras do Brasil. Aos dezenove, Leonardo Altino conquistou o primeiro prêmio no Concurso Internacional de Violoncelo de Viña Del Mar (Chile) e desde então realizou concertos por todo o Brasil, Chile, Colômbia, Coréia, Taiwan, Venezuela e Estados Unidos.

Elogiado pela revista Strad por sua “inteligência excepcional e som excepcionalmente elaborado”, Leonardo foi solista com as orquestras Sinfônica de Boston, Filarmonica de Bogotá, Sinfônica de Jackson, Sinfônica de Memphis, Sinfônica de Montgomery, New England Chamber, Pro Symphony Musica, Sinfônica Brasileira, Sinfônica Nacional, Sinfônica Nacional de Chile, Sinfônica de São Paulo e do Festival Virtuosi, entre outras, sob a direcção de maestros como Eleazar de Carvalho, Mark Churchill, Isaac Karabtchevsky, David Machado, Carl Saint-Clair e Benjamin Zander entre outros. Como camerista, tem colaborado com músicos como Monique Duphil, Ilya Gringolts, Krysa Oleh, Steven Mackey, Antonio Meneses e o Quarteto Miró. Juntamente com sua esposa, Soh-Hyun Park Altino, e o pianista Victor Asuncion, participa do recém formado Dunamis Trio.

Professor apaixonado e mentor de jovens músicos, Leonardo faz parte do corpo docente da Escola de Música Rudi Scheidt da Universidade de Memphis, Tennessee. É frequentemente convidado para realizar master classes e ensinar em vários festivais ao redor do mundo, incluindo o Festival y Academia Nuevo Mundo, Campos do Jordão, Duxbury, Fábrica de Música, MIMO e nos festivais Virtuosi. Durante os verões, ao lado de sua esposa, ensina no Programa Estudo Intensivo de Cordas no Festival MasterWorks. Antes de sua posição atual em Memphis, Leonardo Altino foi escolhido para participar do Cello Fellowship da Orquestra Sinfônica de Montgomery como artista residente por dois anos.

Leonardo Altino estudou no New England Conservatory of Music, na Escola Superior de Música de Detmold e na Universidade de Illinois e teve como principais professores Francisco Pino, Aldo Parisot, Laurence Lesser, Marcio Carneiro e Suren Bagratuni.

Atualmente, reside em Memphis, Tennessee, com sua esposa e filho, David.

SOBRE O DUO
Há mais de trinta anos que Ana Lúcia e Leonardo, um duo formado por mãe e filho, se apresentam em Nova York, Boston, São Paulo, Rio de Janeiro, Recife, Santiago (Chile) e muitas outras cidades nos Estados Unidos e no Brasil. Frequentemente o duo viaja com o violinista Rafael Garcia, marido há 45 anos de Ana Lúcia e pai de Leonardo. Rafael e Ana Lúcia foram mentores, professores, treinadores, colaboradores, companheiros de viagem, apoiadores e inspiração para Leonardo, que agradece pelo incentivo e amor inabaláveis.

Born to musician parents, Brazilian cellist Leonardo Altino began his musical studies at the age of five and gave his first performance at age eight.  At eleven he gave his first concerto performance with a symphony orchestra playing the Saint-Saens Concerto No. 1.  His national breakthrough came in 1986 at fourteen when Leonardo Altino was the youngest winner at the Jovens Concertistas Brasileiros, a prestigious competition in Rio de Janeiro, which led to performances with every major orchestra in his home country.  At nineteen Leonardo Altino was the first prize winner at the International Cello Competition in Viña Del Mar, and since then He has appeared in concerts throughout Brazil, Chile, Colombia, Korea, Taiwan, Venezuela and the United States.

Praised by the Strad magazine for his “exceptional musical intelligence and an exceptionally cultivated sound,” Leonardo has performed with orchestras such as the Boston Symphony, Memphis Symphony, New England Chamber, Symphony Pro Musica, Filarmonica de Bogotá, Sinfônica Brasileira, Sinfonica Nacional de Chile, Sinfônica de São Paulo, and the Virtuosi Festival orchestra among many others under the direction of conductors such as Elezar de Carvalho, Isaac Karabtchevisky, David Machado, Carl Saint-Clair, Mark Churchill, and Benjamin Zander.  He has recently collaborated with Monique Duphil, Oleh Krysa, Ilya Gringolts, Steven Mackey, Antonio Meneses and the Miró Quartet and he appears frequently in chamber music recitals.  Along with his wife, Soh-Hyun Park Altino, and pianist Victor Asunción, he is a member of the Dúnamis Trio.

A dedicated teacher and mentor to young musicians, Leonardo is on the faculty at the Rudi E. Scheidt School of Music at the University of Memphis in Tennessee.  He has given master classes and taught in many festivals around the world, including the Academia y Festival Nuevo Mundo, Festival de Inverno Campos do Jordão, Charleston Music Fest, Duxbury Music Festival, Fábrica de Música, Virtuosi Festival and MasterWorks Festival. Prior to his current position, he was the recipient of the Montgomery Symphony Orchestra Cello Fellowship for two years, and served as artist-in-residence.

Leonardo Altino studied at the New England Conservatory of Music, the Detmold Musihöchschule, and the University of Illinois, and his main teachers are Francisco Pino, Aldo Parisot, Laurence Lesser, Marcio Carneiro and Suren Bagratuni.
Leonardo presently resides in Memphis, Tennessee, with his wife and son, David.

ABOUT THE DUO

It has been over thirty years since Ana Lúcia and Leonardo, a mother-and-son duo, began performing together. They have performed in New York, Boston, São Paulo, Rio de Janeiro, Santiago (Chile) and many other cities in the U.S. and in Brazil. The duo often traveled with violinist Rafael, Ana Lúcia’s husband of forty-five years and father to Leonardo. Rafael and Ana Lúcia have been mentors, teachers, coaches, collaborators, travel companions, supporters, and inspirations to Leonardo, and he wishes to thank them for their unwavering encouragement and love.

Marlos Nobre
Detentor de inúmeros prêmios internacionais, o pernambucano Marlos Nobre (n. 1939) é um dos principais compositores brasileiros da geração posterior a Villa-Lobos. Sua formação passou por Guarnieri e Koellreuter, os antípodas da música no Brasil no século XX, antes de amadurecer no Instituto Torcuato di Tella, em Buenos Aires, e em instituições norte-americanas.

Refletindo o ecletismo de seus estudos, sua música consegue sintetizar técnicas de vanguarda e um certo colorido “brasileiro”, expressando-se em uma linguagem própria, sem se prender a dogmas, cartilhas ou manuais. Gerard Béhague enxergava em suas obras “uma identidade nacional evidente”, com a ressalva de que “como ele não se baseia em padrões de idiomas folclóricos e populares, sua música não pode ser vista como nacionalista”.

Vasta, variada e original, sua produção abarca desde instrumentos solistas abordados com profundo conhecimento técnico, como o piano, o violão e o violoncelo, até grandes painéis orquestrais, passando pela mais refinada música de câmara, obras vocais de rara qualidade e uma escrita para percussão sofisticada e inovadora.

Irineu Franco Perpetuo

Recipient of numerous international awards, Marlos Nobre (b. 1939) is one of the leading Brazilian composers of the generation after Villa-Lobos. He studied under Guarnieri and Koellreuter, antipodal figures of the twentieth century music in Brazil, and continued to mature at the Institute Torcuato di Tella in Buenos Aires and institutions in North America.

Reflecting his eclectic training background, his music synthesizes cutting-edge techniques and a certain “Brazilian” color, expressing itself in its own language without being tied to any dogmas, textbooks or manuals. Gerard Béhague saw in Nobre’s works “an evident national identity,” and added the caveat that “since it is not based on patterns of popular and folk idioms, his music can not be regarded as nationalistic.”

Vast, varied and original, his works range from pieces for soloistic instruments, such as piano, guitar and cello, undertaken with great technical knowledge, to large orchestral works, from the most refined chamber music and vocal works of rare beauty to a work written for sophisticated and innovative percussion.

Irineu Franco Perpetuo

Obras

  • DESAFIO II, OP.31/2 BIS
  • PARTITA LATINA OP 92
    • LENTO-ESTÁTICO
    • APASSIONATTO
    • SCHERZANDO
    • CALMO
    • PROFUNDO
    • VIVO
    • GRAVE
  • POEMA III, OP.94 Nº 3
  • TRÊS CANTOS DE IEMANJÁ
    • ESTRELA DO MAR
    • YEMANJÁ ÔTÔ
    • OGUM DELÊ
  • CANTORIA I
  • CANTORIA II
  • TRÊS CANTILENAS
    • I – PROFUNDO
    • II – FERVOROSAMENTE
    • III – GRAVE E PROFONDO

Comentários para o CD
de Leonardo Altino e Ana Lúcia Altino, com as obras completas para violoncelo de Marlos Nobre

Este CD traz todas minhas obras, escritas até hoje, para o violoncelo, este instrumento que adoro, simplesmente. E minha alegria de compositor é maior ao ter como intérprete o jovem e grande violoncelista Leonardo Altino, que considero como a maior revelação no panorama atual do instrumento em todo o mundo. Artista sensível, dotado de uma técnica perfeita mas sempre a serviço da música, Leonardo Altino é justamente isso: o intérprete ideal para qualquer compositor. Ao lado de Ana Lucia Altino, eles fazem um duo de extraordinária musicalidade e compreensão superior das obras.

A primeira obra que escrevi para o violoncelo, foi o DESAFIO II a pedido justamente do meu grande amigo, o violoncelista e mestre de tantas gerações Aldo Parisot. Foi no Concurso Internacional na Paraíba em 1968 que Aldo me sugeriu a obra, escrita inicialmente para um grupo de 6 violoncelistas. Eu escreveria depois e até agora um total de 50 Desafios para praticamente todos os instrumentos, chegando à orquestra de câmara e sinfônica. Este DESAFIO II tornou-se rapidamente uma espécie de “favorito” entre os violoncelistas, tendo em 2009 sido tocado por todos os semifinalistas do Concurso Internacional Carlos Prieto no México. A peça baseia-se na idéia dos “desafios poéticos” dos cantadores populares do Nordeste do Brasil, que em longas pelejas se desafiam mutuamente compondo de improviso versos cada vez mais complicados. Esta tradição é secular, tendo suas origens no mundo ibérico, Portugal e Espanha. No Brasil a invenção popular o transformaria. No meu DESAFIO II, começo com uma “cadenza” virtuosística para cello solo seguido de uma espécie de “toccata”, ou seja o “desafio” entre os dois instrumentos, com uma conotação contrapontística muito acentuada.

A PARTITA LATINA foi escrita em 2002, desta vez por encomenda de outro querido amigo, o grande violoncelista mexicano Carlos Prieto que a estreou mundialmente em 2003 no México e a gravou no selo Urtext. A obra baseia-se na idéia da partitas do século XVIII, com movimentos próprios mas no meu caso interligados pela idéia inicial exposta pelo violoncelo. Eu poderia dizer também, que são estudos de “caráter musical”, com o 1º número (Lento-Estático) expondo a idéia inicial e a desenvolvendo de forma cada vez mais complexa: o 2º (Apassionatto) é uma breve disgreção melódica do tema, tratando em forma breve e dialogando com a mão esquerda do pianista; o 3º (Scherzando) é virtuosístico e sarcástico; o 4º (Calmo) explora as variantes do tema inicial desembocando em uma espécie de “habanera” enlouquecida; o 5º (Profundo) é extremamente cromático, nos dois instrumentos e intensamente calmo; o 6º (Vivo) tem um caráter virtuosístico e extremamente contraste: o 7º (Grave) começa gravemente e paulatinamente atinge um grande clímax sonoro.

O POEMA III faz parte de outra série que comecei em 2002, dedicada também como os “Desafios” a praticamente todos os instrumentos da orquestra. Todas têm igualmente uma versão para solo e orquestra de cordas. A idéia do Poema, partiu de um canto de amor que escrevi para minha mulher Maria Luiza. Ao mesmo tempo me estimulou muito algo que li a respeito de Picasso que declarou um dia: “Sou um pintor cubista, sim, mas capaz de escrever belos retratos”. O POEMA III portanto é nada mais do que uma simples melodia, um canto de natureza positiva e direta.

A peça TRÊS CANTOS DE IEMANJÁ, foram baseados na minha obra de 1968 “Beiramar” para barítono e piano. Eu sempre quis escrever esta peça para o violoncelo, onde as características dramáticas e de “cantabile” tão particular do instrumento são postas em evidência. Eu fiz esta versão em 2009, especialmente para um concerto no Rio de Janeiro, em comemoração aos meus 70 anos, tendo sido a estréia com o violoncelista Bernardo Katz e a pianista Maria Luiza Corker.

As CANTORIAS são também um caso à parte: em 2005 meu querido amigo, o grande violoncelista brasileiro Antonio Meneses me procurou com a idéia de encomendar obras a compositores baseadas nas Suítes de Bach para cello solo. Eu escolhi de imediato uma de minhas preferidas, a Suite em ré menor, escrevendo então minha CANTORIA I, que parte da idéia inicial de Bach e a partir dela entra em meu mundo pessoal. É como se a idéia primeira de Bach frutificasse em minha mente uma obra com seus caminhos próprios, inclusive chegando às “cantorias nordestinas” daí o título da obra. Antonio Meneses estreou a obra com enorme êxito em 2005 em São Paulo e logo depois a gravaria em CD.

No mesmo ano, me procurou mais uma vez Carlos Prieto para encomendar uma obra para violoncelo solo. Eu então propus fazer a CANTORIA II baseada na mesma idéia da primeira cantoria, isto é, desta vez na suite em dó maior de Bach. Mas enquanto a Cantoria I é mais melódica, esta segunda é extremamente virtuosística e endiabrada. Carlos a estreou no México em 2006.
Depois surgiriam finalmente as TRÊS CANTILENAS, sendo a primeira e a segunda por encomenda de Carlos Prieto, justamente para o concerto que ele organizou no México em homenagem aos meus 70 anos em 2009. E a CANTILENA III eu escreveria um pouco depois, ainda em 2009, para o concerto com Leonardo Altino e Victor Asunción, no XII VIRTUOSI, no qual eles apresentaram a primeira audição mundial da obra, junto com as demais “Cantilenas”.

A idéia fundamental das “Cantilenas” é simples: trata-se de obras usando a antiga forma A – A’ do barroco (como o qual minha música tem tantas aproximações, não de estilo, mas de técnica). Nestas “3 Cantilenas” uma simples idéia melódica é exposta em toda sua extensão pelo violoncelo, com uma elaborada textura contrapontística no piano e logo é repetida, mas sempre com profundas variações harmônicas e contrapontísticas.

MARLOS NOBRE
Rio de Janeiro, fevereiro de 2011

This CD brings together all my works written for cello, the instrument I simply adore. And my greater joy is to have Leonardo Altino as the performer. Leonardo Altino is an exceptionally gifted cellist, whom I consider to be the greatest discovery in the current cello scene in the whole world. Sensitive artist, fit with perfect technique yet always at the service of music, Leonardo Altino is just that, the ideal interpreter for any composer. Along with Ana Lucia Altino, they make a duo of extraordinary musicianship and superior understanding of these works.

The first piece I wrote for the cello was the DESAFIO II at the request of Aldo Parisot, my good friend, the cellist, and teacher for so many generations. It was at the International Competition in Paraíba in 1968 that Aldo suggested the work, initially to be written for a group of six cellists. I went onto writing a total of fifty Desafios, virtually for all the instruments, including chamber and symphony orchestras. This DESAFIO II quickly became one of favorites among cellists, and in 2009 it was performed by all the finalists of the International Competition Carlos Prieto in Mexico. The piece is based on the idea of “poetic challenges” of the folk singers of the Northeastern Brazil, in which the singers would challenge each other in drawn-out duels by composing poems on the spot, making them more elaborate in each turn. This centuries-old tradition, which originated in the Iberian world, namely Portugal and Spain, was transformed by the Brazilian folk culture. In my DESAFIO II, I begin with a virtuosic cadenza for cello solo followed by a type of toccata or “challenge” between the piano and cello with a very strong contrapuntal undercurrent.

The PARTITA LATINA was written in 2002, by the commission of another dear friend, the great Mexican cellist Carlos Prieto, who made its world premiere in 2003 in Mexico and recorded it for the Urtext label. The work is based on the eighteenth-century idea of partitas with individual movements, but in this work, the movements interconnect through the initial idea introduced by the cello. I could also say that they are studies of musical character with the first movement (Lento-Estático) presenting the initial idea and developing it in increasingly complex forms. The second movement (Apassionatto) is a deviation from the melodic theme, written in a brief form, in which the cello part dialogues with the left hand of the pianist. The third (Scherzando) is virtuosic and sarcastic, and the fourth (Calmo) explores the variants of the opening theme leading to a type of crazed habanera. The fifth (Profundo) is extremely chromatic for both instruments yet intensely calm. The sixth (Vivo) is of virtuosic character and extreme contrast. The seventh (Grave) begins very slowly and gradually reaches a great sonorous climax.

The POEMA III is part of another series that began in 2002, and as with the Desafios, it was written for virtually all the instruments of the orchestra to be performed either with piano or a string orchestra. The idea of Poema came from a love song I wrote for my wife Maria Luiza. At the same time, I was inspired by something Picasso said; “I am a cubist painter, yes, but able to paint beautiful portraits.” The POEMA III is nothing more than a simple melody, a song of positive and direct nature.
The work, TRÊS CANTOS DE IEMANJÁ, is based on my work, “Beiramar” for baritone and piano, composed in 1968. I always wanted to write this piece for cello, whose particular dramatic and cantabile features would be well displayed. I made this version in 2009 specially for a concert in Rio de Janeiro to celebrate my seventieth birthday, and the debut was given by cellist Bernardo Katz and pianist Maria Luiza Corker.

The CANTORIAS are also a case apart. In 2005 my dear friend, the great Brazilian cellist Antonio Meneses came to me with the idea of commissioning several composers to write works based on Bach’s suites for solo cello. I immediately chose one of my favorites, the suite in D minor, then wrote my CANTORIA I, which began with the initial idea of Bach and from there entered my personal world. It is as if Bach’s idea bore fruit in my mind of a work with its own ways, finding its way to the “Northeastern Cantorias,” hence the title of the work. Antonio Meneses premiered the work with great success in 2005 in Sao Paulo and soon after recorded it on CD.

In the same year, Carlos Prieto, commissioned a work for solo cello. I then proposed writing CANTORIA II based on the same idea of the CANTORIA I, except this time on the C major suite. While the CANTORIA I is more melodic, the CANTORIA II is extremely virtuosic and devilish. Carlos premiered it in Mexico in 2006.

Then came at last TRÊS CANTILENAS. Carlos Prieto commissioned the first two for the concert he organized in Mexico in honor of my seventy years in 2009, and I dedicated them to Carlos Prieto. And the CANTILENA III I wrote a little later also in 2009, for the concert performed by Leonardo Altino and the pianist Victor Asuncion in the Festival Virtuosi 2009, in which they presented the first world premiere of the work along with the other Cantilenas.

The fundamental idea of Cantilenas is simple; it uses the ancient form, the A – A’ of the baroque period (to which my music has so much resemblance, not in style, but in technique). In these TRÊS CANTILENAS a simple melodic idea is introduced in all its extent by the cello, with an elaborate contrapuntal texture in the piano, and then is repeated, always with profound harmonic and contrapuntal variations.
 
MARLOS NOBRE
Rio de Janeiro, February 2011

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