COBERTURA: O fagote barroco e Valsas para fagote solo – Igreja do Carmo, Olinda

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Por Josias Teófilo

No primeiro dia do XVII Festival Virtuosi o destaque foi o fagotista Fabio Cury, um dos poucos brasileiros atuantes como solista do seu instrumento no pais.

O palco foi a Igreja de Santo Antônio do Carmo de Olinda, barroca, completamente restaurada recentemente. O monumento do século XVIII foi o cenário perfeito para receber o primeiro recital, às 18h, com obras dos compositores barrocos Johann Fasch, Johann Sebastian Bach e Carl Philipp Emanuel Bach, assim como Georg Phillip Telemann – obras compostas na época em foi reconstruída a igreja produzindo uma curiosa harmonia musical/arquitetônica. Fabio Cury foi acompanhado pelo cravista Alessandro Santoro, filho do grande compositor brasileiro Claudio Santoro e especialista em música antiga, no recital intitulado O fagote barroco, com obras transcritas para o instrumento.

No segundo recital, este para fagote solo, foram tocadas as valsas do compositor brasileiro Francisco Mignone. Escritas entre 1979 e 1981, as valsas de Mignone são mundialmente conhecidas pelos fagotistas e consideradas verdadeiras obras-primas. O público, que lotou a Igreja do Carmo, recebeu com entusiasmo os dois recitais.

Resgate do pai Claudio Santoro

Na apresentação do primeiro recital, para fagote e cravo, o maestro Rafael Garcia ressaltou o cravista Alessandro Santoro não só como exímio músico mas também como filho do grande compositor brasileiro Claudio Santoro, autor de uma vasta obra sinfônica. Além de músico, Alessandro é um divulgador da obra do pai, mantém o domínio claudiosantoro.art.br e recentemente esteve envolvido na realização de um documentário sobre o mesmo, dirigido por John Howard Szerman.

Alessandro Santoro lamenta o fato da obra do pai ser pouco conhecida do grande público e pouco tocada pelas orquestras brasileiras, o que ele atribui às dificuldades de interpretação que a música impõe. As gravações feitas pela Osesp das sinfonias 4 e 9, regida por John Neschling, produziram, segundo ele, interesse internacional por essas obras, que passaram a ser interpretadas outras vezes. As obras que não foram gravadas, entretanto, permanecem desconhecidas do público.



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Esse texto foi publicado segunda-feira, dezembro 8th, 2014 às 4:44 AM na seção Notícias, Sem categoria. Você pode acompanhar todos os comentários através do feed RSS 2.0. Você também pode comentar, ou criar um link para cá em seu site.

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