Festival Virtuosi divulga programação de sua 15º edição (NE10)

Mesmo que a passos não tão ligeiros, a difusão e a formação de público em torno da música clássica vem se expandindo em Pernambuco. Dirigido pelo casal de musicistas Rafael Garcia, maestro chileno radicado no Recife, e pela pianista pernambucana Ana Lúcia Altino, o Virtuosi – Festival Internacional de Música de Pernambuco é uma das ações que têm contribuído para tal movimento. Entre os dias 9 e 16 de dezembro, acontece a 15° edição do festival nas cidades do Recife, Olinda, João Pessoa e Belém. Artistas do Brasil e do exterior participam do evento que homenageia o centenário de Luiz Gonzaga. Toda a programação é gratuita.

Em Pernambuco, os concertos irão acontecer no Convento de São Francisco, em Olinda, e nos teatros de Santa Isabel e Eva Herz, na Livraria Cultura do RioMar Shopping. Uma das novidades deste ano será a realização do curso Aprendendo a ouvir música clássica, ministrado pelo jornalista e crítico Irineu Franco Perpétuo. Ele será realizado entre os dias 11 e 13 de dezembro, na Livraria Cultura do Shopping Paço Alfândega.

“A parte artística é a mais simples de fazer porque todos os grandes músicos do mundo querem tocar no festival. Pernambuco começou a ser um grande centro de música erudita por causa do Virtuosi”, comenta Rafael Garcia. Mesmo com esse prestígio, eles se queixam da contínua dificuldade que enfrentam para obtenção de recursos financeiros. “Quando conversamos com o pessoal de marketing de algumas empresas eles nos respondem: ‘música clássica’ não é nosso perfil”, expõe Ana Lúcia, uma queixa que se repete a cada ano, como uma ladainha.

A abertura do Virtuosi acontece no dia 9, às 17h, no Convento de São Francisco, em Olinda, com dois concertos em sequência do Quarteto Radamés Gnatalli. O primeiro será dedicado ao brasileiro Heitor Villa-Lobos e o segundo, ao argentino Astor Piazzolla. No Teatro de Santa Isabel, no centro do Recife, Igor Lovchinsky abre, no dia 11, às 20h, a série das principais apresentações do festival tocando obras de Chopin, Prokofiev e Gershwin.

No dia 13, às 20h, no Teatro Eva Herz, acontece a homenagem ao Rei do Baião, com Toninho Ferragutti. Na mesma noite e local, a Orquestra Virtuosi, sob a regência de Rafael Garcia, interpreta a peça A coragem e a cara – Memorial musical de Luiz Gonzaga, composta pelos paraibanos Eli-Eri Moura e Marcílio Onofre.

Além da qualidade dos instrumentistas, os idealizadores do Virtuosi destacam a participação das pessoas que assistem aos concertos. Indagado sobre o que os artistas estrangeiros comentam sobre o público local, Rafael Garcia responde enfaticamente: “Eles levam um choque!”.

Segundo ele e Ana Lúcia, essa reação se deve à manifestação entusiasmada dos brasileiros diante das apresentações. “É um calor (humano) que eles não encontram quando não se apresentam na Europa”, relata Ana. Na avaliação de Garcia, outro ponto relevante sobre a audiência do festival é a sua média de idade. “A maioria é formada por jovens”, diz.

Tida como importante instrumento de educação, socialização e cidadania, a difusão e a prática da música erudita parece ainda não ser reconhecida efetivamente como tal pelos governantes locais. É a interpretação que transparece ao se ouvir o comentário de Rafael Garcia. “Fico triste quando estou no Santa Isabel e vejo o camarote oficial vazio”.



Esse texto foi publicado terça-feira, novembro 20th, 2012 às 1:21 PM na seção Clipping. Você pode acompanhar todos os comentários através do feed RSS 2.0. Você também pode comentar, ou criar um link para cá em seu site.

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