AD Luna

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Especial para o JC

Discutir o pensar e o fazer na música erudita. Esse é o principal objetivo do Virtuosi Diálogos – A Música Contemporânea no Nordeste, que acontece hoje e amanhã no auditório da Livraria Cultura. A série de debates, que integra a programação do XIV Virtuosi Festival Internacional de Música, reúne os compositores nordestinos Antonio Madureira, Danilo Guanais, Eli-Eri Moura, Liduíno Pitombeira, Marcílio Onofre, Nelson Almeida, que conversarão entre si e com a plateia sobre o atual panorama regional desse segmento artístico.

“Sempre procuramos organizar atividades paralelas ao Festival com o intuito de envolver os compositores e os jovens músicos eruditos”, explica a pianista e diretora-geral, Ana Lúcia Altino.

Ela diz acreditar que, de maneira geral, está havendo uma maior difusão da música erudita em Pernambuco e no Nordeste, mas que isso poderia ser ampliado. “Acho que há mais pessoas fazendo concertos, porém sinto falta de professores mais qualificados. A Orquestra Sinfônica do Recife também anda muito parada”, complementa.

A musicista cita projeto criado na Venezuela como exemplo de desenvolvimento da cultura erudita. “O El Sistema foi criado há 30 anos naquele país por José de Abreu (político, educador e compositor) e ajudou a tirar muitas crianças e jovens do caminho das drogas e da violência”, explica. Fora o aspecto social, o programa tem sido responsável pela formação de excelentes regentes, músicos e orquestras e sempre é tratado como referência pela comunidade internacional.

Além da apreciação e da experiência estética, Ana Lúcia exalta o papel da música erudita como reforço educacional e integrativo. “Na música você lida com emoção, sentimento. Trabalhando em um grupo, você aprende a respeitar, a ouvir o outro e exercitar a disciplina. Acho até que os militares imitaram a organização, o esquema, das orquestras”, brinca.

Eventos como o Virtuosi e a Mimo (Mostra Internacional de Música de Olinda) vêm desmistificando a ideia de que música de concerto e/ou instrumental só é apreciada por gente mais abastada. “Pessoas de todas as classes sociais apreciam ouvir os ‘hits’ da música clássica. Temos visto isso em várias situações. Também é notável a crescente procura por vagas em cursos oferecidos pelo Conservatório Pernambuco de Música”, aponta Ana Lúcia Altino.

Por falar em “hits” eruditos (ou seja, composições de autores mais citados e conhecidos como Mozart, Beethoven, Bach, entre outros), o Virtuosi Diálogos procura mostrar e difundir o fato de que a música clássica não vive só do passado e que continua sempre se renovando. Para o debatedor Eli-Eri Moura, é realmente raro se ouvir falar de concertos nos quais se apresente o trabalho de autores contemporâneos. Mas esse situação pode ser transformada. “Não achamos que o público é ignorante, ele apenas não tem muito acesso a esse tipo de informação. Por isso, temos a missão de divulgar nosso trabalho e de outros autores do nosso tempo”, reforça o também professor da Universidade Federal da Paraíba.