Durante a leitura desta entrevista, escute o ucraniano Valentin Silvestrov executando uma de suas próprias peças. Silvestrov será um dos compositores tocados hoje no XIII Virtuosi pelo New Classic Ensemble Vienna.

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1. A quanto tempo o New Classic Ensemble Vienna existe e quais os compositores mais tocados pelo grupo?
O NCEV foi fundado por mim e por Andres Mustonen em 2007. Nosso repertório principal consiste de compositores clássicos vienenses – Haydn, Mozart, Beethoven – e compositores modernos do chamado “novo estilo harmônico” – dos quais os mais importantes são Arvo Part, Giya Kancheli e Valentin Silvestrov.

Há diferentes razões para isso: como uma solista bem conhecida, fui sempre muito envolvida com o repertório de concertos clássico (e também com os concertos de Bach) e foi um desejo meu por um longo período criar um grupo para tornar possível interpretações camerísticas de alto nível dessas obras (quer dizer, com um músico por parte orquestral [no lugar do naipe inteiro] – era usual tocar dessa forma nos tempos em que essas obras foram criadas e isso permite a um solista ter melhores possibilidades de flexibilidade e refinamento da performance).

Composições modernas estilisticamente transparentes e harmonizadas caem bem neste repertório. Nosso primeiro violinista, Andres Mustonen, trabalha regularmente como maestro com esses compositores e nós os conhecemos pessoalmente além de recebermos novas obras deles. Então é um tipo de relação intensa e bem especial.

2. Por que a escolha pelos concertos para piano K271 de Mozart e em ré maior de Haydn para serem tocados no XIII Virtuosi?
Esta resposta está na mesma linha da anterior. Tocamos três dos mais famosos concertos de Haydn, e o que inclui o bem conhecido movimento Rondo alla ungharese [o concerto em ré maior] é um sucesso entre eles. Então achamos que o público brasileiro vai gostar.

Escolhemos o K271 de Mozart pela condição de mais monumental e virtuosístico dentre os quatro concertos que podem ser tocados em uma formação para cordas solistas e porque não queremos sobrecarregar o programa com música moderna. Por isso nossa escolha pelos dois concertos.

3. Neste XIII Virtuosi, o NCEV vai tocar Silvestrov, que é um compositor contemporâneo ligado a um pensamento musical próximo ao do Romantismo. Você poderia falar um pouco sobre ele e sobre as Três peças para violino e piano, que você irá tocar hoje?

Valentin Silvestrov diz que em suas obras mais tardias (as Três peças são de 2005) ele deu um passo para um tipo de conexão transcendental com compositores como Schubert e Chopin e assim os deixa falar através de sua linguagem musical em nosso tempo. Sua música nada tem portanto a dizer ao que é esperado de uma música moderna pelo público. Não há nada de construtivismo ou dodecafonismo nela: ela é bonita, harmônica, meditativa, leve e sofisticada. Estou certa de que o público vai amá-la.

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