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Nunca tantos nomes importantes da história da música de concerto fizeram parte do mesmo evento em Gravatá, cidade do interior de Pernambuco, a duas horas da capital. De 07 a 12 de julho, o I Festival Virtuosi de Gravatá apresentará performances memoráveis com gênios eruditos.

Na programação, estão nomes como o do maestro e pianista João Carlos Martins, o violoncelista Antônio Meneses, o flautista Rogério Wolf, o maestro chileno Rafael Garcia, o contrabaixista Catalin Rotaru e o pianista Victor Asuncion, entre vários outros. O evento é gratuito, com patrocínio da Prefeitura de Gravatá, e será realizado na Igreja Matriz de Sant’Ana, ponto turístico da cidade.

A BR Press entrevistou com exclusividade Ana Lúcia Altino, a produtora do I Festival de Gravatá. Pianista e casada com o maestro chileno Rafael Garcia, Ana é a maior responsável por divulgar e desenvolver a cultura da música de concerto em Pernambuco. A seguir, ela conta as motivações que a levaram a produzir este evento e seus pensamentos para o futuro da música de concerto no Brasil.

Por que a escolha de Gravatá?

Ana Lúcia Altino – Gravatá é uma cidade que tem todas as características de Campos do Jordão (SP) nos anos 70, quando ali se iniciou o Festival de Inverno. Clima de montanha associado a uma arquitetura típica de chalés alpinos faz de Gravatá uma cidade para descanso e turismo. É um ambiente propício para realização de um grande festival de música clássica. Há anos que alimentamos essa idéia de realizar um Virtuosi em Gravatá, mas só agora encontramos eco na sensibilidade do prefeito Osano Brito. Vamos começar com um festival de 6 dias e 7 concertos com um grupo de artistas muito relevante.

Como convenceram João Carlos Martins a tocar tanto piano no evento?

Ana Lúcia Altino – Não foi necessário convencer João Carlos. A programação do concerto dele foi feita por ele. É claro que pedimos que ele tocasse alguma coisa no piano. Então, ele vai tocar toda a segunda parte. São músicas lentas que certamente vão emocionar o público. João Carlos Martins é nosso amigo há muitos anos. Ele aceitou nosso convite na hora, sem problemas.

Qual sua inspiração e motivação ao criar um festival deste nível no interior do estado?

Ana Lúcia Altino – Levar o melhor da música clássica para todos. Esta foi sempre a nossa motivação. Se fosse possível realizaríamos um festival deste nível em todas as regiões do Estado. Quanto mais, melhor. O fato de se democratizar o acesso ao bem cultural não deve permitir que esse bem seja mostrado de qualquer forma. Se a idéia é formar platéia, permitir que um número de pessoas tenha acesso à música erudita, é importante que se faça da melhor maneira possível, com qualidade. Esse primeiro contato do leigo com a arte tem que ser significativo, tem que sensibilizar cada um para que ele goste e queira mais. Somente o verdadeiro artista consegue fazer isso.

Como você vê o futuro da música de concerto em Pernambuco e no Brasil?

Ana Lúcia Altino – Desde que se renovou a Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo, na época do maestro John Neschling, agora com maestro Tortelier, que a Osesp vem sendo inspiração para que outras orquestras se aperfeiçoem, contratem novos músicos, enriqueçam as suas programações. Isso se refere principalmente aos estados como Rio, São Paulo, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e até a região Centro-Oeste tem também se desenvolvido. Com relação ao nordeste eu diria que estamos em outro patamar. Continuamos marcando passo lentamente e a música de concerto continua com muito pouco espaço.

Publicado originalmente na BRPress