O Virtuosi Diálogos, ciclo de debates com início hoje, na Livraria Cultura, tem desafios bem definidos pelo seu curador, o músico Eli-Eri Moura: tratar de compositores contemporâneos eruditos e que atuam no Nordeste. “Existe um público? Como ele reage, já que a linguagem é, às vezes, considerada hermética? Como é que essa linguagem atua na psiquê do público do concerto? Estamos convidando as pessoas para conversarem com os compositores, daí que o nome do ciclo seja Virtuosi Diálogos”, explica o organizador.

“O que se chama de música erudita contemporânea”, continua Eli-Eri, “na verdade, é apenas a música escrita para uma sala de concertos e que tem uma linguagem composicional atual. Existem festivais, como o de Música Contemporânea Brasileira, do Rio de Janeiro, ou a bienal (de Música Contemporânea) que é realizada no Mato Grosso, que buscam divulgar esse tipo de produção. No entanto, não há essa discussão aqui no Nordeste, especialmente com compositores nordestinos (pelo menos aqueles que nasceram e que atuam aqui)”.

Eli-Eri Moura foi primeiro professor de composição contratado pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB), onde implantou a área de composição (na extensão, graduação e pós-graduação). Possui mestrado e doutorado na McGill University, no Canadá, e trabalha também com a composição de trilhas (são deles as trilhas para os espetáculos Lágrimas de um guarda chuva e A morte do artista popular, ambos de 2010, por Antonio Cadengue). O próprio Eli-Eri acena para a vinculação formal dos compositores com instituições de ensino e pesquisa.

“Você raramente encontra um compositor da chamada música de concerto que sobreviva somente de sua composição. Ele está geralmente associado a uma universidade, a uma instituição. É o caso de quase todos os nossos convidados. Seis compositores, representando quatro estados nordestinos”.

Nas mesas estarão Nelson Almeida, professor da Universidade Federal de Pernambuco – “um excelente compositor desta linguagem, com doutorado em composição na Inglaterra. Mas você não escuta o nome do Nelson Almeida facilmente, não é?”, apresenta Eli-Eri. Também, Marcílio Onofre, da Paraíba, “compositor muito jovem, já professor da UFPB, que tem despontado nacionalmente com vários prêmios”. Do Ceará e com doutorado nos Estados Unidos, vem o conceituado Liduíno Pitombeira, atualmente atuando como professor da Universidade Federal de Campina Grande.

Pernambuco será representado Antônio Madureira que debate com Danilo Guanais, do Rio Grande do Norte, a composição Armorial. “Achamos interessante trazer para o debate a questão de como é a música Armorial hoje, composta em 2011”.

Saiba mais

Virtuosi Diálogos (Livraria Cultura). Gratuito.

Sessão 1
Hoje, 10h às 12h
Criação musical contemporânea no Nordeste – regionalismo, pluralidade, ecologismo
Talk 1: Nelson Almeida (PE)
Performance: Grupo de Nelson Almeida
Talk 2: Eli-Eri Moura (PB)
Performance: Gueber Santos (clarinete). Diálogos com mediação de Marcílio Onofre

Sessão 2
Quarta-feira(7), 10h às 12h
Sistemas, reciclagem, desbravamento.
Com Marcílio Onofre (PB), Liduíno Pitombeira (CE), Eli-Eri Moura

Sessão 3
Quarta-feira(7), 13h às 15h
A música armorial hoje. Com Danilo Guanais (RN), Antonio Madureira (PE) e Eli-Eri Moura