Virtuosi_FloraPimentel_330

Por Josias Teófilo

O concerto da quinta-feita no Teatro de Santa Isabel – tradicional casa do Festival Virtuosi – foi consagrado à música de câmara romântica e pós-romântica.

O público foi recebido pelo violista Marcelo Jaffé – do Quarteto de Cordas da Cidade de São Paulo – que explicou com bom humor a biografia dos compositores, seus dramas pessoais e a circunstância da composição das obras apresentadas.

A primeira peça foi a Sonata para violoncelo e piano de op. 6 do compositor alemão Richard Strauss, tocada com vigor pelo violoncelista pernambucano Leonardo Altino e pelo pianista filipino Victor Asuncion. A obra de Strauss dialoga com a música romântica dos compositores Beethoven, Schumann (principalmente na unidade temática) e Mendelsohn (o finale é inspirado na Sinfonia Escocesa dele) de modo o universo da noite foi o romantismo do século XIX.

A peça seguinte foi o Trio para violoncelo e piano Op. 15 de Bedrich Smetana, obra profundamente dramática que Smetana escreveu para uma das filhas mortas quando ainda era criança. O trio foi tocado em toda sua profundidade por Yehezkel Yerushalmi, spalla da Orchestra del Maggio Fiorentino regida por Zubin Mehta, Leonardo Altino e Victor Asuncion, e foi bastante aplaudido.

Em seguida, foi tocada uma peça que não estava no programa de um compositor praticamente desconhecido no Brasil: um trio para violoncelo e piano de Robert Kahn, judeu perseguido pelos nazistas na Segunda Guerra Mundial.

Em seguida, veio a apoteose da noite, o Quinteto para piano e cordas em mi maior, uma das mais conhecidas e tocadas peças do repertório camerístico. O público parecia hipnotizado pela obra, tocada com delicadeza e profundidade. Notável era o entrosamento entre os músicos – fundamental para música de câmara – e a familiaridade que pareciam ter com a música.