COBERTURA: Maratona 24 horas – Virtuosi pela Paz Parte 1

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A maratona Virtuosi pela Paz começou soturna e introspectiva com a peça Metamorphoses de Richard Strauss – homenageado do ano no festival – escrita em 1945 sob efeito da emoção causada pela destruição de uma parte da Alemanha na Segunda Guerra Mundial, inclusive o Teatro Nacional de Munique. A obra para orquestra de cordas foi brilhantemente interpretada pela orquestra do Virtuosi regida por Rafael Garcia.

Em seguida, foram tocadas dois concertos de Ludwig van Beethoven: o concerto para violino e o tríplice concerto para violino, violoncelo e piano. Esta última obra, a única de Beethovem para mais de um instrumento solista, foi tocada em família: regida por Rafael Garcia, com a esposa Ana Lúcia Altino (piano), o filho Leonardo Altino no violoncelo e Soh-Hyun Park – a esposa deste – no violino. Rafael Garcia e Ana Lúcia Altino comemoram em 2014 70 anos de vida.

Mas a apoteose da noite foi o célebre Concerto para violino de Ludwig van Beethoven tocado pelo violinista americano Giora Schmidt. Logo nos primeiros acordes foi possível entender porque ele é aclamado pela crítica especializada (foi elogiado pelo The Miami Herald, Detroit press etc): com um som límpido e perfeita intimidade com o concerto de Beethoven, ele deixou a todos visivelmente impressionados, inclusive os músicos da orquestra.

Aplaudido de pé, ele tocou uma peça de Bach para violino solo como bis e teve que voltar ao palco diversas vezes. Foi certamente uma oportunidade rara no Brasil de ouvir um violinista desse nível.

No concerto seguinte, foi possível ouvir Christian Lindberg, compositor e trombonista, considerado um dos melhores do mundo no seu instrumento, junto com o pianista filipino Victor Asuncion. No repertório, obras de diversas épocas, inclusive uma composição sua para trombone solo, e uma obra-prima do repertório camerístico, a Fantasiesturcke de Robert Schumann.

A partir das 23h20 se iniciou a apresentação mais intimista da noite: o recital de Benjamin Schmid, que recentemente foi citado no livro “Le grands violinistes do XX siècle” como um dos 35 maiores violinistas dos últimos 50 anos. O recital teve duas sonatas, a Sonata em lá menor, de Johann Sebastian Bach, e a Sonata Opus 27 de Eugene Ysaye, e quatro Caprichos de Paganini. Apesar da hora já adiantada, o público aplaudiu calorosamente cada peça, especialmente a última. De fato, a rapidez com que Schmid tocou os caprichos de Paganini – já excessivamente difíceis – produziu uma funda impressão.

Schmid tocou com seu violino Stradivadius. Numa só noite, o palco do Teatro de Santa Isabel recebeu dois Stradivarius, um depois do outro.

Após o recital intimista e virtuoso de Benjamin Schmid, o teatro recebeu algo completamente distinto: o violinista cigano Roby Lakatos (também com um Stradivarius) com seu grupo composto de cimbado, piano, e baixo. Com os instrumentos amplificados, o que mudou a atmosfera da noite para algo mais popular e menos formal, Lakatos tocou peças de música cigana, inclusive a famosa Hapsódia húngara, obras de Piazzolla. No final, em homenagem ao público brasileiro, tocou uma peça de Tom Jobim. Apesar da hora adiantada, já passava da meia noite, o público já diminuído aclamou Labakos com gritos e aplausos, como num show.

[Continua]



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Esse texto foi publicado sábado, dezembro 13th, 2014 às 3:45 PM na seção Programação. Você pode acompanhar todos os comentários através do feed RSS 2.0. Você também pode comentar, ou criar um link para cá em seu site.

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