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É terça-feira, pleno dia mundial do rock. O interior do estado se prepara para uma maratona de shows ecléticos; em dois dias começa o Festival de Inverno de Garanhuns que vai mostrar Gal Costa, Móveis Coloniais de Acaju, Eddie, Pitty e Paralamas do Sucesso. Antes, uma parada estratégica em Gravatá para ouvir música clássica. A estrada de fluxo livre denuncia que a invasão em massa da cidade ainda não começou.

A primeira noite do festival Virtuosi de Gravatá (que também se apresenta no FIG) começa com o Hino do Brasil, onde todos os cidadãos cantaram em pé, emocionados, até o fim, talvez com resquícios da, com sorte, esquecida Copa do Mundo. A Igreja Matriz de Sant’Ana está repleta de gente acasacada, mas não ultrapassa sua capacidade. As atrações da noite são a Orquestra Virtuosi, a violinista dinamarquesa Sara Wallevik, o viola Rafael Atino e a soprano Gabriela Pacce. A largada é dada com o concerto de Brandemburgo nº 3 em sol maior, seguido do prazeroso duo de Wallevik e Altino na Suíte nº 3 para violino e viola Op. 19 nº 1, de Kurt Atterberg.

O repertório começou tristonho, os nervos só começaram a esquentar em Rossini, terceira obra do programa. Depois de uma homenagem ao trombonista paraibano Radeguindis Feitosa, chega a vez de Gabriella Pacce, que já foi Micaela em Carmen, Susanna em As bodas de Fígaro e Ceci em O Guarany. No Virtuosi, ela apresentou árias das óperas Rinaldo, As bodas de Fígaro, Falstaff e Fausto. Mas o apelo popular, aquele que contagia e aproxima o público, tão importante em concertos clássicos atualmente – ainda mais para o público ainda não educado musicalmente de Gravatá – só veio mesmo com O mio bambbino caro, de Puccini.

A soprano já se apresentou no Virtuosi anteriormente, foi Dulcinéia, de Dulcinéia e Trancoso. Ela, como outros parece ter entrado para a família Virtuosi, que além de ser gerado por uma família, também costuma “acolher” músicos que se apresentaram em edições passadas do Virtuosi, trazendo-os novamente para outras versões do festival, interiorizações etc. Pacce é expressiva, coisa que algumas cantoras de óperas atuais parecem abandonar, se tornando múmias de boa voz. Não foi à toa que ela faturou o prêmio Carlos Gomes de 2010. O brilho da noite ficou mesmo por conta dos solistas, que encobriram a apática orquestra que não faz jus ao nome do evento.O Virtuosi Gravatá vai até o dia 18 e presta homenagem aos 200 anos do nascimento de Schumann e Chopin.

Link: http://www.diariodepernambuco.com.br/2010/07/15/viver3_0.asp