21.05.2011, Caderno C, José Teles

Sem Fronteiras: Intérpretes que não se preocupam com rótulos, este é o nome do novo projeto do Virtuosi. O objetivo é apresentar a versatilidade de instrumentistas altamente qualificados, derrubando fronteiras entre o erudito e o popular, provando que a qualidade da música independe da categoria na qual compositores e intérpretes foram enquadrados.

O Sem Fronteiras tem oito espetáculos programados para o Teatro de Santa Isabel, começando hoje, e estendendo-se até o dia 12 de junho, sempre aos sábados e domingos, às 17h, com entrada franca.

O projeto será iniciado com o percussionista Naná Vasconcelos apresentando-se com a Orquestra Jovem de Pernambuco, regida pelo maestro Rafael Garcia. No repertório, o elogiado Concerto para berimbau, do próprio Naná Vasconcelos, com um arranjo assinado por Egberto Gismonti, e outras composições de Naná. Entre estas, está Vamos para a Selva, ou Let’s go to the jungle, um sucesso onde quer que seja apresentada, com animada participação da platéia: “Recebi com muito entusiasmo o convite do pessoal do Virtuosi, que merece aplausos pela ousadia. É difícil encontrar pessoas abertas, produtores que topem encarar a mistura de percussão popular com erudita. Uma grande oportunidade para mostrar isto aqui no Recife”, comentou Naná Vasconcelos, que tem feito este formato de shows mais no exterior.

Naná volta ao palco do Santa Isabel no domingo, para continuar o Sem Fronteiras. Desta vez toca com o violoncelista Luís Coimbra, uma parceria que já pode ser considerada vitoriosa, com vários shows pelo Brasil. “Luís tocou no meu disco Chegada, compomos juntos, e fizemos turnê na Europa, com banda. Depois ficamos lá, e resolvemos tocar em dupla. Este show nasceu na Espanha e Inglaterra”, conta o percussionista pernambucano.

O carioca Luís Coimbra, tocou com muitos craques da MPB, entre estes, Alceu Valença e Ney Matogrosso, e integrou o antológico grupo Aquarela Carioca. O duo Naná e Luís, no concerto de amanhã, vai de Villa-Lobos a Xangai e Elomar. “Ele é um músico extraordinário, toca vários instrumentos, além do violoncelo, e ainda canta muito bem. No show, tocamos juntos, coisas minhas e dele. Eu faço um bloco solo, ele também”.

O Sem Fronteiras prossegue na semana seguinte, com o Ensemble de são Paulo e a pianista Ana Lúcia Altino, com interpretações de Dvorak, e Cesar Franck. No dia seguinte, a Ensemble de São Paulo se apresenta com o pianista Nelson Ayres, com um repertório abrangente que inclui Chico Buarque, Edu Lobo, Debussy, Tom Jobim, Villa-Lobos, e do próprio Ayres.

Na primeira semana de junho o flautista Rogério Wolf divide o palco com o pianista Fernando Tomimura. Depois, Rogério se une a Sérgio Morais e Paulo Porto. O Sem Fronteiras terá, nos dias 11 e 12 de junho, duo Adriana Clis (mezzo soprano) e Saulo Javan (Barítono), ao lado da pianista Ana Lúcia Altino, que apresentam árias de ópera, música popular e clássicos do jazz e da MPB.