Virtuosi Brasil em novo endereço

José Teles

Quando chegou ao Recife, em 1970, o maestro chileno Rafael Garcia lembra que a recém-inaugurada TV Universitária estava programa para ser um centro mundial de boa música: “Hoje a gente produz um evento como o Virtuosi com muito suor e lágrimas”, compara, com sua exacerbação bem conhecida. O Virtuosi é literalmente um evento plural. Tem o Virtuosi na Serra (durante o Festival de Inverno em Garanhuns), o Virtuosi Gravatá, o Virtuosi Internacional (no Recife e em Olinda) e o Virtuosi Brasil, que acontece de hoje até domingo, este ano no Centro Cultural dos Correios, (no Bairro do Recife), com entrada gratuita.

“O Virtuosi Internacional é conhecido até no exterior, mas o Virtuosi Brasil leva tanta gente quanto ele aos concertos, penso que pelo repertório que atrai os jovens”, comenta o maestro.

Pela primeira vez o Virtuosi Brasil não será realizado no Teatro de Santa Isabel. “Ganhamos uma seleção pública do Centro Cultural dos Correios, e este ano o festival acontece lá. Mas só tenho a agradecer à diretoria do Santa Isabel, que sempre nos deu toda atenção. Agora o local dos concertos este ano tem uma acústica maravilhosa, um salão que cabe umas 400 pessoas, muito bom mesmo”, continua Garcia, que apesar das dificuldades nos patrocínios tem trazido a cada ano grandes solistas para o Virtuosi.

Hoje, um desses solistas é o convidado da Orquestra Jovem de Pernambuco, regida pelo próprio Rafael Garcia. É o violinista Alessandro Borgomanero, spalla da Orquestra Sinfônica de Brasília, mestre pela Escola Mozarteum de Salzburg. No repertório do concerto estão as peças Concerto de Brandemburgo de Bach, o Concerto em Ré Menor Para Violino e Orquestra de Mendelssohn, as Danças Romenas de Bela Bartok e as Árias Ciganas de Sarasate.

O maestro chama especial atenção para a peça de Mendelssohn. “Ele foi composto para orquestra de câmera, e é de execução difícil. Mas ficou muito bom a com a nossa orquestra, que é a única de Pernambuco que ensaia o ano inteiro e apenas para eventos. Também é a única que traz solistas internacionais”, elogia o maestro. “Muitos solistas vêm pelo prazer de tocar no Virtuosi, diminuem o cachê, porque se você quer trazer um nome como Nelson Freire, o patrocinador acha que o cachê que ele cobra é alto. A música popular é o que mais se divulga. Até nas festividades religiosas os artistas populares têm palco. Acho que está em dissonância com o tempo, a maioria é caça-níquel. Com um cachê bem menor do que se paga a alguns destes artistas você contrata um grande mestre. Mas não me cabe dizer quem deve ou não ser contratado”, comenta Rafael Garcia.

ATRAÇÕES

A Orquestra Jovem de Pernambuco, que abre a série de concertos do VI Virtuosi Brasil, foi criada em 1986, passou alguns anos desativada e voltou á cena em 2005, para o projeto A Fábrica de Música, promovido pelo Maestro Rafael Garcia. Formada por músicos bastante jovens, a Ojope é hoje a orquestra mais atuante do Estado. Participou de vários concertos pelo País, em 2008, pelo programa Petrobras Cultural e levou música erudita a dez cidades pernambucanas.

O solista Alessandro Borgomanero, tem um currículo invejável, professor da Universidade Federal de Goiás, já apresentou ao redor do mundo. Como solista, tocou em diversas orquestras, entre as quais, a de Budapeste, a Salzburg Chamber Soloists, Philadelphia Virtuosi, London Mozart Players, com os Virtuosos e a Sinfônica de Salzburgo, Bachiana Filarmônica e com a maioria das orquestras sinfônicas brasileiras. Borgomanero tem discos lançados pelos selos Kreuzberg Records (Alemanha), Nami Records (Japão) e Classic Sound (Áustria).

Formado por professores do Departamento de Música da UFPB e da Orquestra Sinfônica da Paraíba, o Quinteto Brassil existe há mais de 25 anos e desenvolve um original trabalho com música brasileira, folclórica e erudita, com apresentações nos principais centros musicais do Brasil e no exterior. Realizou, com diversos concertos realizados nos EUA e países da Europa. Seu discos têm recebido críticas elogiosas nas publicações especializadas, nacionais e estrangeiras. O quinteto já gravou programas na BBC de Londres e na WGBH, de Boston. Tem os CDs Brassil toca Brasil (1992), lançado na Inglaterra como Brassil plays Brazil, pela Nimbus Records (1995). Pelo mesmo selo lançou, em 1997, o disco Brassileiros.

O grupo paulista Carcoarco estreita ainda os laços entre o popular e o erudito com um trabalho baseado na obra do músico e pesquisador José Eduardo Gramani (1944-1998). “Acho que o músico que faz bem o erudito, faz muito bem o popular. E o Carcoarco, não faz apenas música, mas constrói também instrumentos. Em sua apresentação o grupo faz uma fusão de ritmos brasileiros, indo do baião ao frevo, e o chorinho, com roupagem de música de câmara tradicional, uma inteligente união da rabeca com o violino”, diz Rafael Garcia.