Ingrid Melo
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Em Gravatá, todos os olhos, ouvidos e sentidos estavam voltados para o Festival Virtuosi de música erudita, que iniciou sábado, às 19h, sua terceira edição. A Igreja Matriz de Sant”Ana estava repleta, com espectadores de todas as idades, em pé ou sentados, olhando atentos para o palco e procurando qualquer brecha entre as pilastras e os bancos para ver mais de perto o concerto. Lá fora, dezenas de pessoas acompanhavam pelo telão, ignorando o frio.

A primeira a se apresentar foi a violoncelista ucraniana Natalia Khoma, que executou a peça Concerto número um em dó maior para violoncelo e orquestra, do compositor austríaco Joseph Haydn. Acompanhada pela Orquestra do Festival, composta por 45 estudantes de música, Natalia fez uma apresentação de pouco mais de meia hora.

A maior parte da peça foi executada de olhos fechados pela violoncelista. Ela sentia cada nota e o público ouvia emocionado o som expressivo do violoncelo, considerado o rei dos instrumentos de corda e, por isso, um solista. “O concerto foi lindo. Eu já havia escutado sobre Haydn, mas não conhecia o trabalho dele. A peça é intensa e sutil ao mesmo tempo e Natalia soube expressar isso muito bem. Me cativou profundamente”, disse a nutricionista Gabriella Carrilho.

Em seguida, foi a vez de Rafael Garcia reger a Orquestra do Festival na obra Réquiem em ré menor, de Mozart. Composta para orquestra, coro e solistas, Réquiem contou ainda com o Coro de Câmera Villa-Lobos (30 cantores regidos por Carlos Anísio de Oliveira) e quatro solistas: a soprano Adriane Queiroz, a mezzo-soprano Adriana Clis, o tenor Gilberto Chaves e o barítono Saulo Javan.

A harmonia das vozes e dos instrumentos na acústica da igreja era de uma beleza magnífica que calou até as crianças e explodiu em aplausos calorosos ao final da apresentação. “Foi tudo perfeito, me deu um nó na garganta. Acho louvável a proposta do Virtuosi de levar música erudita gratuita e de qualidade, para todas as camadas sociais. Tem gente de todo tipo aqui, e todo mundo está unido pela música, que é uma linguagem universal”, resumiu o aposentado João Cândido, em consonância com Rafael Garcia que, com a voz embargada, afirmava no palco ser aquele o verdadeiro Virtuosi Sem Fronteiras. O Festival continuou ontem com o início da homenagem aos 200 anos de nascimento de Liszt e segue até o dia 17. As apresentações ocorrem sempre na Igreja Matriz de Sant”Ana, a partir das 19h em dias de semana e depois das 11h nos finais de semana. O acesso é gratuito.