21.05.2011, VIVER, André Valença.

Em 2008, o festival de música erudita Virtuosi homenageou o percursionista Naná Vasconcelos. Hoje, quem comparecer ao Salão Nobre do Teatro de Santa Isabel pode ter a sensação de déjà vu, já que Naná foi escalado para fazer as honras de outro festival, o Virtuosi sem fronteiras: intérpretes que não se preocupam com rótulo.

A diretora do festival, Ana Lúcia Altino, explica o título: “A ideia é mostrar oito concertos, ocorrendo em pares com os mesmos intérpretes, e mostrar que músicos de qualidade que não têm fronteiras; podem passar do erudito ao popular sem problemas. No sábado, tocam música erudita, no domingo, popular”.

Para Naná, que dividirá o palco hoje com a Orquestra Jovem de Pernambuco, sob a batuta do maestro Rafael Garcia, o Sem fronteiras é uma oportunidade de mostrar suas composições eruditas. “Tem muita gente que acha que eu só faço reger os maracatus. Dizem: ‘ah, Naná? Naná é aquele dos maracatus’”, conta, bem-humorado. “Mas, falando sério, para mim, é uma oportunidade de mostrar o meu trabalho com orquestra, que não é conhecido no Brasil. Eu não venho do mundo erudito, mas tenho material para isso”, explica. Nesta apresentação, o percursionista apresentará o seu Concerto de berimbau e corda, além de músicas de outros compositores, como do maestro Heitor Villa-Lobos, para as quais criou percursões que, originalmente, não existiam.

Villa-Lobos
Amanhã, dia reservado para tocar música popular com o cantor, compositor e multiinstrumentista Lui Coimbra, Villa-Lobos aparece novamente no repertório de Naná. “É porque, na minha cabeça, Villa-Lobos é as duas coisas. Ele pegou a música folclórica e trabalhou sinfonicamente”, justifica. Além do célebre maestro brasileiro, figurarão composições de Naná e de Lui, a canção Babylon, de Zeca Baleiro, e um soneto de Mario Quintana.

Para Naná, encontros como esses são essenciais, porque “ainda tem muita gente do mundo erudito que fica virado de frente para o passado e de costas para o futuro. Mas tem algo de muito inusitado num berimbau que saiu de uma roda de capoeira ir parar em cima de um palco”. Mesmo com tantos poréns, o percursionista garante que tem o jeito de lidar com maestros: “toda vez que eu vou afinar o meu berimbau, sempre digo ao regente: ‘vou afinar meu Stradivarius’. Quebra um gelo danado”, brinca.

Naná ainda realizará uma oficina de percussão, chamada Orgânico workshop – O entendimento dos ritmos através do corpo. É destinada não só a percursionistas, mas a todo mundo que tem interesse em música. Inclusive, não há instrumentos na oficina. “O instrumento é o corpo. É como uma aeróbica terapêutica”, define.

Saiba mais

Espetáculos

21/05 – Naná Vasconcelos e Orquestra Jovem de Pernambuco (regente: Rafael Garcia)

22/05 – Naná Vasconcelos e Lui Coimbra

28/05 – Ensemble São Paulo e Ana Lucia Altino

29/05 – Ensemble São Paulo e Nelson Ayres

04/06 – Rogério Wolf e Fernando Tomimura

05/06 – Programa de Choros – Rogério Wolf, Sérgio Morais e Fernando Cesar

11/06 – Adriana Clis, Saulo Javan e Ana Lucia Altino – Ópera

12/06 – Cross over! – A noite onde o canto lírico visita o Pop!

Oficinas

21/05 – Naná Vasconcelos (percussão)

29/05 – Ensemble São Paulo (cordas)

04/06 – Rogério Wolf (flauta)

12/06 – Saulo Javan e Adriana Clis (canto)

Serviço

Onde: Salão Nobre do Teatro de Santa Isabel (Praça da República)
Quando: Espetáculos: 21, 22, 28 e 29 de maio e 4, 5, 11 e 12 de junho, às 17h. Oficinas: 21 e 29 de maio e 4 e 5 de junho, às 10h
Quanto: Entrada franca