Do Diário de Pernambuco, caderno Viver

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Virtuosi celebra Liszt
Edição de quinta-feira, 16 de dezembro de 2010
Além do compositor húngaro, programa tem repertório dedicado às vítimas do fascismo e da guerra

Em comemoração aos 200 anos de nascimento do compositor Franz Liszt, o Virtuosi convidou, para esta noite, o pianista francês Olivier Moulin a interpretar um recital com as obras mais expressivas do húngaro, às 20h, no Teatro de Santa Isabel. Entre elas, Impromptu, Funérailles e Totentanz. Olivier, que já foi laureado com vários prêmios internacionais, é um especialista na obra de Liszt, planejando, inclusive, o lançamento de um disco solo dedicado ao compositor, em 2011.

Pianista francês Olivier Moulin toca no Santa Isabel; abaixo, a produtora Ana Lúcia Altino, que lança O quinteto para piano no século 19: Brahms Opus 34, no Salão Nobre. Foto: Virtuosi/DivulgacaoDentro da série Vicenti Fittipaldi, iniciada ontem, logo após Moulin, os dinamarqueses do Quarteto de Cordas Arild Kvartetten sobem ao palco, para executar o Quarteto nº 8, de Dmitri Shostakovich. Uma peça criada e dedicada pelo russo às vítimas do fascismo e da guerra, no século 20. O grupo, apesar da estreia recente, em 2008, é formado por velhos conhecidos. Os músicos integram as orquestras Real da Dinamarca e Sinfônica de Odense. Agora, juntos vêm surpreendendo pela maturidade e elegância nas interpretações.

No Salão Nobre, a partir das17h, o pianista Filipino Victor Asuncion, o violinista Benjamin Sung e o violoncelista Joseph Johnson apresentam sonatas como as Sete variações sobre Bei Mannern welche Liebe Fuhlen de A flauta mágica, de Mozart, e a Sonata para violino e piano nº 9 em Lá maior, Op.47. Além dos músicos, uma atração a parte é o violoncelo Juan Guillami, de 1747, que pertence a Johnson.

Lançamento

Ainda nesta tarde, no Salão Nobre, haverá o lançamento do livro O quinteto para piano no século XIX: Brahms Opus 34 (CEPE), cuja autoria é da produtora e pianista Ana Lúcia Altino. A obra literária, resultado da tese de doutorado da pernambucana, aborda o desenvolvimento de um dos mais importantes gêneros comerísticos, o quinteto para piano e cordas, que, inicialmente, foi escrito somente para cordas, depois se transformou numa sonata para dois pianos e conquistou a versão atual.

O livro, por sinal, faz uma reconstrução técnica do que seria o quinteto para cordas. ´Eu reconstruí de forma hipotética a obra inicial de Brahms. É claroque foi tudo em cima de suposições, já que o compositor queimou a partitura`, revelou Ana Lúcia. Acompanhando o livro, a autora ainda acrescentou dois CDs. Um com a partitura digitalizada da hipotética reconstrução da obra e outro com a gravação ao vivo da estreia da peça pelo Ensamble São Paulo, há três anos. Para celebrar o lançamento, o grupo – formado pelos violinistas Betina Stegamann e Nelson Rios, o violista Marcelo Jaffé e os violoncelistas Robert Sueholtz e Kim Bak Dinitzen – interpreta a reconstrução da obra.