Matéria no jornal Vida & Arte, de João Pessoa

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Cheios de virtuosidade

Em sua 13ª edição, pernambucano Virtuosi faz ponte com a Paraíba através de um concerto e de homenagem a Radegundis Feitosa

TIAGO GERMANO
Quem teve a oportunidade de conferir as duas apresentações do consagrado The Penderecki String Quartet – a primeira em Olinda, anteontem, e a segunda em João Pessoa, ontem – viu o vigor e a maestria de um conjunto que tirou o público das cadeiras, algo não muito comum durante apresentações de música erudita.

Uma das principais atrações do 13º Virtuosi, festival internacional de música que ocorre até domingo, com etapas em Pernambuco e uma na Paraíba, o quarteto impressionou por seu repertório que evolui da sutileza de Maurice Ravel aos pizzicattos inquietos de Krzysztof Penderecki, compositor polonês que inspirou o nome do grupo.

Depois de Olinda e João Pessoa, o Penderecki String Quartet tem outra apresentação prevista em Pernambuco: próximo sábado, às 17h, no Santander Cultural. Os músicos ainda tocam em São Paulo e em Porto Alegre, onde irão mostrar a desenvoltura com que passeiam por obras dos períodos clássico e moderno.

“Gostamos também de música popular e já tocamos até em festivais de jazz. Música popular e erudita têm lá suas diferenças, mas ambas são legítimas”, disse Christine Vlajk, violista, enquanto se preparava para o masterclass que ministrou com o restante do grupo ontem à tarde, na Universidade Federal da Paraíba (UFPB).

HOMENAGEM
Este ano, além da etapa realizada ontem, na Igreja da Misericórdia, o Virtuosi alcança a Paraíba através da homenagem que fez a Radegundis Feitosa, trombonista falecido no último mês de julho. Reunidos no Salão Nobre do Teatro Santa Isabel, na capital pernambucana, 95 colegas de instrumento de Radegundis celebraram na noite de ontem a memória do paraibano.

O número dá uma ideia aproximada do prestígio que ele gozava entre os músicos. “Radegundis não só deixou para nós uma verdadeira escola artística, como humana”, diz Ana Lúcia Altino, diretora-geral do Virtuosi. “Além de ter sido um dos melhores no seu instrumento, Radegundis inspirava um sentimento de liderança entre os seus colegas”.

A lembrança do paraibano é celebrada junto à de outro grande nome da música erudita: o maestro Cussy de Almeida, também falecido este ano. As homenagens confluíram quando a megaorquestra de trombones, juntamente com o Madrigal, da UFPB, e a Orquestra Virtuosi executaram “Aboio para Cello e Cordas”, composição do maestro potiguar que integrou o concerto ‘Réquiem para um Trombone – In Memoriam de Radegundis Feitosa’.

O evento, que emocionou a plateia, contou ainda com a presença da soprano Gabriella Pace, do trombonista alemão Frederic Belli e do regente Renato Farias, que esteve à frente dos 95 instrumentistas vindos de João Pessoa, Campina Grande, Recife, Natal e Maceió.

“Réquiem para um Trombone”, composição que deu nome ao concerto, foi uma encomenda de Ana Lúcia Altino a Eli-Eri Moura, também presente na noite de ontem. “Foi uma homenagem de coração a um amigo querido por todos nós”, disse o maestro. (O repórter viajou a convite do festival)